Tanto Hillary como Obama, cheap que até agora ganharam em New Hampshire e Iowa respectivamente, precisam conseguir o apoio em Nevada para impulsionar suas respectivas campanhas.
Nevada, segundo os analistas, foi o estado no qual as campanhas democratas tiveram sua primeira mudança de estratégia.
Os candidatos, principalmente Clinton e Obama, suavizaram o tom de seus discursos e, sobretudo, deixaram de trocar criticas mútuas sobre os temas mais diversos.
O último debate realizado esta semana em Las Vegas foi expoente claro desta mudança: os candidatos deixaram de se chamar uns a outros de “meu oponente” e passaram a se referir pelos nomes “John” (Edwards), “Hillary” e “Barack”.
Igualmente cessaram as acusações sobre assuntos raciais – Obama e Clinton trocaram comentários a respeito de quem é o melhor guarda do legado de Martin Luther King, o reverendo negro líder dos direitos civis nos EUA – e, definitivamente, entraram em uma faceta mais “educada” do debate eleitoral.
Mas, conscientes de que em política tudo conta – e na americana mais – nem tudo é tão bonito como o mostrado.
A decisão de um juiz de Nevada de permitir que os empregados dos cassinos possam se reunir em cáucus em seus postos de trabalho, o que facilitará seu voto, pode, segundo os observadores, beneficiar Obama contra Hillary, já que o senador negro já recebeu o apoio de importantes setores relacionados com a hotelaria neste estado.
Hillary não acusou publicamente o golpe, mas sim Bill Clinton, que segundo Candy Crowley, comentarista da rede de televisão “CNN”, parece ter adotado o papel do “policial mau” nesta história enquanto sua mulher a de “policial bom”.
Na opinião do ex-presidente – exposta de maneira bastante agressiva – “alguns eleitores vão ter mais fácil a possibilidade de votar que outros. E quando votam, seu voto valerá cinco vezes mais que o de outros”, disse antes de indicar que ele não teve nada a ver com a apresentação do pedido que deu origem a esta decisão.
Hillary, no entanto, se limitou a dizer que, como sempre em democracia, “quanta mais gente participar, melhor”.
O terceiro democrata em disputa, o ex-senador John Edwards, está bastante atrás, com aproximadamente 19%/20% das intenções de voto.
Entre os republicanos, que também realizam cáucus amanhã neste estado, as coisas inicialmente parecem estar melhores para o ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney, que poderia conseguir 25% dos votos e somar assim uma nova vitória à já obtida em Michigan.
O senador do Arizona, John McCain, aparece em segundo nas pesquisas, com uma percentagem de 20%, enquanto o ex-governador de Arkansas Mike Huckabee os segue com 12% e Rudolph Giuliani, ex-prefeito de Nova York, com 11%.
O ex-senador e ator Fred Thompson surge com 10%, enquanto o congressista Ron Paul, com 7%.
Onde os conservadores travam uma batalha mais apertada é na Carolina do Sul, o estado onde, também amanhã, serão realizadas as primárias republicanas.
As eleições neste estado, sem chegar a ter a relevância que tiveram em nível nacional os cáucus de Iowa e as primárias de New Hampshire, são consideradas importantes pelos observadores, já que se trata da primeira vez que se pronuncia o sul dos Estados Unidos, uma região com características muito especiais.
No sul, tradicionalmente, o voto negro por um lado e o da direita cristã por outro marcaram diferenças notáveis com o resto do país.
Inicialmente, as pesquisas indicam que a disputa conservadora poderia ser ganha por John McCain, a quem dão cerca de 28% dos votos, seguido do ex-pastor protestante e ex-governador de Arkansas.