Dois helicópteros da missão da ONU na Costa do Marfim (Onuci) e da operação francesa Licorne dispararam neste domingo vários mísseis contra a residência oficial do presidente em fim de mandato, Laurent Gbagbo, e o palácio presidencial, segundo informou à Agência Efe o porta-voz da organização, Hamadoun Touré.
Touré explicou, em conversa por telefone, que a operação buscava neutralizar os tanques e outras armas pesadas que continuam em poder das forças leais a Gbagbo.
Fontes militares ligadas à operação Licorne asseguraram que os arsenais armazenados nestes dois edifícios foram atingidos pelo fogo dos helicópteros.
“Não sei quantos mísseis dispararam, mas vi dois helicópteros pararem perto do palácio e disparar. Nunca tinha ouvido explosões desse calibre”, disse um morador do bairro de Le Plateau, onde fica o palácio presidencial.
Várias testemunhas afirmaram que tinham visto um helicóptero disparando também contra a sede da emissora pública da Costa do Marfim, “RTI”.
Trata-se da segunda vez em uma semana que os helicópteros franceses e das Nações Unidas atacam as dependências presidenciais, após a intervenção da última segunda-feira, que tinha o mesmo objetivo da ação realizada neste domingo.
Horas antes, Gbagbo havia denunciado uma “ocupação ilegal do porto e do aeroporto” de Abidjan, a capital financeira do país, por parte da Licorne.
“O Governo da República da Costa do Marfim considera ilegal e ilegítima esta ação por parte da França, cujo Exército se transformou em uma força de ocupação e colonização de um país soberano sob o pretexto de proteger seus cidadãos”, diz uma nota assinada pelo porta-voz de Gbagbo, Ahoua Don Mello, e divulgada neste domingo.