O primeiro-ministro japonês, Yukio Hatoyama, enfrenta seu primeiro contratempo no Governo por causa de um escândalo de falsas doações relacionadas com um fundo de financiamento político, informou hoje a agência local “Kyodo”.
As investigações começaram depois que um grupo de cidadãos apresentou em julho uma denúncia ao assegurar que nas listas de doadores deste fundo, chamado Yuai Seikei Konwa-kai (Associação Fraternal de Política e Economia), figuravam 90 identidades falsas, entre elas as de algumas pessoas mortas.
A Promotoria do Japão já começou a interrogar alguns dos supostos doadores para determinar de onde proveio o dinheiro e se beneficiou de algum modo o atual primeiro-ministro do Japão, segundo a “Kyodo”.
Hatoyama, investido chefe de Governo há menos de um mês, admitiu no dia 30 de junho que havia dados falsos nas listas de doações entre 2005 e 2008 que afetaria uma quantidade de 21,77 milhões de ienes (165.648 euros).
No entanto, Hatoyama se desculpou dizendo que os falsos relatórios eram unicamente responsabilidade de seu ex-contador e assegurou que o dinheiro procedia unicamente de seu fundo pessoal, algo que os fiscais pretendem comprovar em sua investigação.
Quando Hatoyama fez estas declarações, já tinha sido divulgado que o grupo tinha recebido supostos benefícios fiscais relacionados com as falsas doações.
O escândalo saiu à luz depois que Yukio Hatoyama fora nomeado em maio presidente do Partido Democrático (PD), em substituição de Ichiro Ozawa, que renunciou esse mês após ver-se manchado por uma trama de financiamento ilegal.
O primeiro-secretário e contador de Ozawa, Takanori Okubo, foi processado em 24 de março por ocultar a origem de 35 milhões de ienes (266.259 euros) em doações não declaradas da construtora Nishimatsu.