O dirigente do Hamas Mahmoud Zahar, declarou nesta quarta-feira que o movimento islamita está disposto a aceitar o estabelecimento de um Estado palestino nas fronteiras de 1967, embora ressaltou que nunca reconhecerá Israel.
Zahar fez as afirmações à rádio da agência Palestina Independente “Maan”, ocasião em que afirmou que qualquer reconhecimento formal do Estado judeu poderia “suspender o direito para as futuras gerações de libertar suas terras”.
Ele insistiu que reconhecer Israel poderia colocar em perigo o direito ao retorno dos refugiados palestinos: “qual será o destino de 5 milhões de palestinos na diáspora?”, questionou.
Suas declarações ocorrem em meio a esforços para formação de um Governo de união nacional que inclua os membros do Hamas e do movimento nacionalista Fatah, depois do acordo de reconciliação assinado entre as duas facções – até agora inimigas – na semana passada no Cairo.
Nos últimos anos, diversos líderes do Hamas se mostraram dispostos a aceitar a criação de um Estado palestino em suas fronteiras internacionalmente reconhecidas, ou seja, nos territórios que Israel ocupa desde 1967 (Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental) e uma trégua de longa duração com Israel, embora sem reconhecimento.
Conhecido por ser um dos fundadores do Hamas e membro do setor mais intransigente, Zahar declarou que o movimento islamita estava disposto a reconhecer um Estado palestino “em qualquer parte da Palestina”, em oposição às linhas estatutárias nas quais aspira um estado “desde o rio (Jordão) até o mar (Mediterrâneo)”.
Referiu-se ainda ao futuro da atual trégua com Israel e confirmou que o Hamas seguirá respeitando, após alcançar um compromisso comum com seus agora sócios do Fatah.
Com tudo, matizou que a trégua “faz parte da resistência” e que “a trégua não é a paz”.