O movimento islâmico palestino Hamas, considerado terrorista pelos Estados Unidos, quer iniciar um diálogo direto com a Administração do presidente americano, Barack Obama, mas não em Israel, porque não reconhece oficialmente o direito de existência do Estado judeu.
“Apesar da ausência de mudanças na política americana em relação aos palestinos, o Hamas está preparado para abrir canais de diálogo com os EUA fora de Israel, que não reconhecemos”, disse um de seus líderes, Ismail Radwan, em declarações à imprensa em Gaza por ocasião do primeiro aniversário de Obama na Casa Branca.
Radwan explicou que o famoso discurso feito em junho do ano passado, no Cairo, pelo presidente dos Estados Unidos os deixou “otimistas” diante de uma possível alteração nas políticas da Casa Branca, mas, “infelizmente, não houve mudanças nem em temas árabes nem da causa palestina”.
“Em vez de pressionar a ocupação israelense, Obama pôs a pressão do lado palestino”, lamentou.
“Se Obama quiser mostrar que a política de sua Administração é diferente, deveria deixar de pôr pressão nos palestinos e aceitar a escolha democrática do povo palestino”, disse o porta-voz.
Radwan se referia ao embargo imposto por Washington ao Governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP), após a vitória do Hamas nas eleições de janeiro de 2006.
Em junho de 2007, o Hamas tomou o controle da Faixa de Gaza após expulsar as forças leais ao presidente da ANP e líder do Fatah, Mahmoud Abbas, apoiado pelo Ocidente, e Israel intensificou o bloqueio a este território palestino.