Um dos líderes do Hamas, approved Mahmoud Zahar, afirmou hoje que “Israel desaparecerá algum dia”, horas antes da “Nakba” ou “Desastre” como os palestinos lembram a criação, há 60 anos, do Estado Judeu.
Em uma conferência intitulada “Sessenta anos da Nakba. O retorno está perto”, organizada pelo Hamas em Gaza, Zahar reiterou que seu movimento nunca reconhecerá Israel e que “o povo palestino resistirá para libertar completamente seus territórios ocupados”.
O líder deste movimento radical fez a declaração em um discurso pronunciado para uma multidão de seguidores que assistiram a um ato em memória à expulsão forçada de 700 mil dos seus compatriotas após a criação de Israel, no dia 14 de maio de 1948.
O Hamas, que tomou pelas armas o controle de Gaza há 11 meses, nega-se a renunciar à luta armada e está incluindo na lista de organizações terroristas de Israel, Estados Unidos e União Européia.
“Nesta ocasião, por causa da Nakba, reiteramos que nunca reconheceremos o impiedoso inimigo; nunca reconheceremos Israel, nunca o reconheceremos”, declarou Zahar, co-fundador do Hamas em 1987, a seus seguidores.
Horas após suas declarações, um foguete do tipo Grad, que foi disparado de Gaza, caiu em um centro comercial da cidade israelense de Ashkelon, a cerca de 10 quilômetros da Faixa e onde ficaram feridas pelo menos 14 pessoas, três delas em estado grave.
O ataque aconteceu após a morte de quatro palestinos, três deles milicianos, em operações do Exército israelense em Gaza.
A agressão – e a comemoração da Nakba – ocorrem enquanto a Autoridade Nacional Palestina (ANP), presidida por Mahmoud Abbas, negocia com Israel a possibilidade de conseguir um acordo de paz antes de final de ano.
Os especialistas estimam que esse processo seja uma das razões que – contrariando o Hamas -, levou a ANP a comemorar com discrição a data, lembrada pelos palestinos de Cisjordânia, Gaza e Jerusalém, assim como os que estão espalhados pelos campos de refugiados de diferentes países árabes vizinhos.
O 15 de maio é a data em que se iniciou a primeira guerra árabe-israelense, que conduziu parte do povo palestino ao exílio e ao abandono ou à destruição de mais de 400 aldeias.
Os principais atos em lembrança da “Nakba” serão realizados pela primeira vez em dois territórios palestinos divididos não só geograficamente, mas também politicamente.
Assim, enquanto a Faixa de Gaza é governada “de fato” pelo Hamas, na Cisjordânia é o Governo da ANP, liderado pelo primeiro-ministro moderado e laico, Salam Fayyad.
A “Muqata”, sede do Governo palestino na cidade cisjordaniana de Ramala receberá amanhã um ato oficial, que será assistido por representantes do corpo diplomático.
Também nessa cidade acontecerá uma das principais manifestações que partirá do “acampamento do retorno” – símbolo dos refugiados palestinos, localizado em frente à “Muqata” – para a Praça Al Manara.
Manifestações similares foram convocadas por um comitê nacional encarregado dos atos comemorativos de todas as cidades e campos de refugiados palestinos, onde participarão membros da OLP, da sociedade civil e de organizações de direitos humanos.
Além disso, em Jerusalém Oriental, no campo de refugiados de Kalandia, próximo de Ramala, e no de Al Aida, no distrito de Belém, mais de 21 mil balões negros serão soltos, um por cada dia transcorrido desde a “Nakba”.
A idéia, segundo os organizadores, é de que os balões cheguem ao território israelense para que seus cidadãos lembrem-se de que este aniversário representa luto para o povo palestino.
Na Faixa de Gaza também serão lançados balões negros e, nos territórios palestinos, os colégios, as instituições e o comércio permanecerão fechados durante o dia.
O Hamas organizou várias atividades lembrando a data, como uma exibição no centro da Cidade de Gaza no qual serão mostradas fotografias de aldeias palestinas capturadas por Israel em 1948 e da luta palestina nos últimos 60 anos.
O movimento islamita convocou uma manifestação popular nas imediações da fronteira de Erez, controlado pelo Exército israelense, para protestar pelo ferrenho bloqueio imposto por Israel à Faixa desde a tomada do poder em Gaza pelo Hamas.