O presidente autodeclarado da Venezuela, Juan Guaidó, disse nesta quinta-feira (29) que o encontro entre ele e o presidente Jair Bolsonaro marca um “novo e positivo” momento na região. Ele agradeceu o Brasil, e diretamente a Bolsonaro, pelo apoio à luta no país vizinho por valores fundamentais, como democracia e liberdade. “Esse encontro marca um novo momento na região, um momento positivo”, disse Guaidó, em declaração conjunta com o presidente brasileiro no Palácio do Planalto.
Guaidó ilustrou a grave crise por que passa os venezuelanos com dados sociais e econômicos. Segundo ele, neste momento são mais de 3 mil presos políticos na Venezuela, opositores ao regime chavista de Nicolás Maduro. Além disso, disse, houve uma queda gigante na exploração de petróleo na Venezuela.
“Para o país voltar a crescer, é preciso resgatar a democracia e os direitos humanos. Há uma emergência humanitária na Venezuela”, disse. “Não se pode viver em paz quando nos tiram indígenas e nos perseguem”.
O presidente autodeclarado venezuelano ressaltou que “a corrupção prejudicou o país” e que hoje a população luta por eleições livres e democráticas, o que não ocorreu no passado, quando Maduro assumiu novo mandato.
Para ele, a luta na Venezuela é constitucional e o dilema não é exatamente sobre querer guerra ou paz, “é entre democracia ou ditadura”. “O que queremos é recuperar nossa democracia para que as pessoas possam voltar para casa”. Guaidó ainda disse que a Venezuela quer recuperar o intercâmbio comercial com o Brasil, o desenvolvimento da Amazônia e o respeito aos indígenas.
Apoio brasileiro
Depois da reunião no Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro manifestou publicamente seu apoio a Juan Guaidó. Em declaração à imprensa, ele afirmou que o Brasil vai atuar, dentro da legalidade, para restabelecer a democracia no país vizinho. “Nós não pouparemos esforços dentro da legalidade, da nossa Constituição e das nossas tradições para que a democracia seja restabelecida na Venezuela. E isso só será possível com eleições limpas e confiáveis. Nos interessa uma Venezuela livre, próspera e economicamente pujante”, disse o presidente.
Bolsonaro criticou governos anteriores do Brasil por terem dado apoio ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro. “Faço uma mea culpa aqui, porque dois ex-presidentes do Brasil fizeram parte do que está acontecendo na Venezuela hoje. Essa esquerda gosta de tanto de pobre que acabou multiplicando-os, e a igualdade buscada por eles foi por baixo. Queremos uma igualdade para cima, na prosperidade”, afirmou.
O presidente brasileiro pediu permissão para chamar Guaidó de “irmão” e afirmou que continuará apoiando as decisões do Grupo de Lima em favor da mudança de política no país vizinho, “por liberdade e democracia”. Ao final de seu pronunciamento, apertou a mão do colega.
Guaidó chegou ao Brasil na madrugada de hoje (28). Em sua conta pessoal no Twitter, ele disse que veio ao Brasil em busca de apoio para a transição de governo na Venezuela. Antes do encontro com Bolsonaro, ele esteve com representantes diplomáticos de outros países no escritório da delegação da União Europeia, em Brasília.
Fonte: Estadao Conteudo e Agência Brasil