Nesta terça-feira, os principais grupos da oposição egípcia rejeitaram a proposta do presidente do país, Hosni Mubarak, de dialogar com as forças políticas a fim de efetuar reformas constitucionais.
Os Irmãos Muçulmanos, a maior força opositora no país, recusaram categoricamente conversar com o regime que consideram já “não tem nenhum valor”.
“O pedido principal de todo o povo continua sendo a derrocada do regime de Mubarak”, disse à Agência Efe Gamal Nassar, um porta-voz desta formação ilegal.
Para Nassar, o regime de Mubarak “está perdendo tempo” com estas propostas que “chegaram muito tarde”.
Milhares de membros deste grupo chegaram segunda-feira à noite a partir de diversas províncias do país para participar da manifestação em massa convocada para esta terça na cêntrica praça de Tahrir, revelou Nassar.
Mubarak encarregou na segunda o vice-presidente do país, Omar Suleiman, a abrir diálogo com as forças políticas egípcias para estudar possíveis reformas da Constituição, como anunciou este último em um discurso pela televisão.
A mesma postura de rejeição ao diálogo com Suleiman tem a Assembleia Nacional para a Mudança, que apoia o prêmio nobel da paz Mohamed ElBaradei e considera a proposta de Mubarak “sem valor”, disse à agência Efe Hassan Nafae, um dos dirigentes deste grupo.
“A proposta é uma tentativa mais para conter a revolução, mas a pressão continuará na rua para derrubar o regime de Mubarak”, disse Nafae.
Milhares de pessoas reivindicam há uma semana nas ruas das principais cidades egípcias que Mubarak deixe o poder e convoque eleições livres.