A segunda greve geral em seis meses em Portugal interrompeu serviços no país nesta quarta-feira (3), com suspensão de trens, cancelamento de centenas de voos e fechamento de escolas. A paralisação foi convocada pela maior central sindical do país, a CGTP, em protesto contra os planos de reforma trabalhista do governo.
O governo minoritário de centro-direita deve aprovar um projeto de lei com apoio do partido de extrema-direita Chega. A proposta prevê mudanças em mais de 100 artigos do Código Trabalhista, com o objetivo de aumentar a produtividade e estimular o crescimento, após o fracasso das negociações com os sindicatos.
Tiago Oliveira, presidente da CGTP, afirmou que a reforma alteraria as condições de trabalho ao consolidar o emprego precário, desregulamentar as horas de trabalho, facilitar as demissões em massa e restringir os direitos de greve e as proteções aos pais. Segundo ele, os jovens trabalhadores ficariam “presos a contratos precários para o resto da vida”, em referência às mudanças que poderiam levar a jornadas de 50 horas semanais sem remuneração extra, em vez das atuais 40 horas padrão.
Os impactos foram sentidos em vários setores. A CP, empresa ferroviária estatal, suspendeu os trens de longa distância e a maioria dos regionais, enquanto o metrô de Lisboa fechou. As escolas fecharam em todo o país por falta de pessoal, e hospitais adiaram a maioria das cirurgias e consultas após uma greve de enfermeiros.
Na aviação, a TAP disse que operaria apenas 79 de seus mais de 300 voos diários habituais nesta quarta-feira, enquanto a Iberia esperava reduções entre 50% e 75%.
A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Ramalho, afirmou que a participação dos trabalhadores do setor privado foi marginal. Segundo ela, a esmagadora maioria dos trabalhadores estava trabalhando e a economia não parou. Os trabalhadores privados, que superam os funcionários do setor público em cerca de cinco para um, são o principal alvo da reforma.
A proposta também prevê facilitar as demissões em massa por justa causa, permitir que as empresas neguem a reintegração de trabalhadores em casos de demissão ilegal, desde que paguem indenização, e suspender os limites da terceirização. Uma greve anterior, em dezembro, foi a primeira paralisação geral desde os protestos contra a austeridade, em 2013.