O Governo do presidente Hugo Chávez mobilizou nesta quarta-feira milhares de trabalhadores do setor petrolífero, funcionários públicos e seguidores em manifestações em todo o país para expressar seu repúdio às sanções impostas pelos Estados Unidos à estatal PDVSA, devido ao apoio da empresa ao setor energético do Irã.
Milhares de pessoas participaram nesta quarta-feira das manifestações em refinarias e sedes da PDVSA e diante de organismos públicos de todo o país, enquanto o Governo venezuelano reiterou as críticas aos EUA e à oposição, acusando-a de “trair a pátria” por não apoiar nesta terça-feira uma declaração de repúdio às medidas.
“Esta concentração e as concentrações ao longo e largo de nossa indústria petrolífera são um claro sinal para o império”, declarou o ministro de Energia e Petróleo venezuelano, Rafael Ramírez, num ato público em um complexo industrial no estado centro-oriental de Anzoátegui.
Esse foi um dos atos centrais com os quais o Executivo venezuelano respondeu nesta quarta-feira à decisão anunciada na terça pelo Governo dos Estados Unidos de sancionar a PDVSA e outras seis empresas internacionais que estão apoiando o setor energético do Irã – país já sancionado por Washington e pela ONU em função da política nuclear de Teerã.
As sanções compreendem a proibição de assinar contratos com o Governo americano e o recebimento de financiamentos dos EUA para suas operações de importação e exportação, mas o Governo venezuelano indicou que está esperando para conhecer o conteúdo completo das medidas para dar uma “resposta proporcional”.
Os EUA estavam há meses apertando o cerco contra a Venezuela diante das suspeitas de que Caracas estava violando o regime de sanções imposto pela comunidade internacional ao Irã, aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU para condenar o programa nuclear da República Islâmica, suspeita de enriquecer urânio com fins militares.
Além das acusações contra os EUA, Ramírez, também presidente da PDVSA, acusou os opositores de cometerem “traição à pátria” e de serem “aliados” de Washington por não aprovarem um acordo proposto pelo Governo na Assembleia Nacional (Parlamento) para repudiar as sanções à petrolífera venezuelana.
“À burguesia venezuelana, à oligarquia, lhes advertimos que estão incorrendo em traição à pátria (…), que estão se aliando a uma potência estrangeira (…), que estão conspirando mais uma vez contra nosso povo”, disparou o ministro.
“Advertimos (à oposição) que, se insistirem nessa conspiração, vamos derrotá-los e sepultá-los para sempre”, acrescentou.
Ramírez pediu ainda aos trabalhadores da indústria petrolífera que, “a partir deste momento”, mantenham-se “em mobilização e em alerta (…) contra as intenções de violar a soberania” da Venezuela.
“Vendemos à China, Europa, Rússia, América do Sul. Isso os incomoda profundamente (aos Estados Unidos), isso é o que faz com que ataquem nossa indústria”, exclamou.
De sua conta no Twitter, @chavezcandanga, o presidente Chávez escreveu: “Excelente, Camarada Rafael Ramírez! É um autêntico patriota! Daqui, meu reconhecimento! Continuemos construindo a Revolução Petrolífera!”.
Em uma segunda mensagem, o presidente acrescentou: “Não só temos as maiores reservas de petróleo do mundo. Temos também a empresa petrolífera mais revolucionária do mundo! Venceremos”.
A oposição respondeu às acusações do Governo rechaçando as sanções dos EUA contra a PDVSA, mas também a política externa do Governo Chávez.
“Somos democratas. Nós apoiamos de maneira irrestrita a PDVSA. É preciso defender essa empresa de medidas arbitrárias e unilaterais como esta dos Estados Unidos, mas também do Governo Chávez”, assinalou a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), em comunicado.
O governador do estado Miranda (centro), o oposicionista Henrique Capriles, também expressou rejeição às medidas dos Estados Unidos contra a PDVSA.
“A indústria petrolífera é de todos os venezuelanos. Todos temos de cuidá-la e preservá-la. Nenhuma nação deve unilateralmente gerar sanções a nosso país”, manifestou Capriles, um dos principais candidatos da oposição para enfrentar Chávez nas eleições presidenciais de 2012.
Ele mostrou sua “preocupação” com uma medida que, em sua opinião, “enfraquece a imagem da Venezuela em nível internacional”.
A Câmara Venezuelano-Americana de Comércio e Indústria (Venamcham) também manifestou sua “preocupação” com as sanções do Governo americano.
A Venamcham “vê com preocupação qualquer sanção que possa prejudicar o comércio e intercâmbio entre Venezuela e Estados Unidos”, indicou a câmara em comunicado, no qual lembrou que as exportações venezuelanas aos EUA cresceram 27,76% no primeiro trimestre de 2011.