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Governo Trump lança site ‘aliens.gov’ em novo ataque contra imigrantes nos EUA

Carregado dos tons xenofóbicos que Trump usa desde sua primeira campanha à Presidência, o site traz um mapa com todos os locais em que imigrantes foram detidos nos EUA

Redação Jornal de Brasília

29/05/2026 17h35

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Foto: Andrew Harnik/Getty Images

GUILHERME BOTACINI
FOLHAPRESS

O governo de Donald Trump lançou nesta sexta-feira (29) o site aliens.gov, no qual trata imigrantes em situação irregular nos Estados Unidos como alienígenas, em novo ataque à população migrante do país.

O site trata a questão como se fosse um segredo de Estado revelado, brincando com o imaginário em torno de alienígenas nos EUA e surfando na estreia do filme de ficção científica “Dia D” (Disclosure Day, no original), prevista para o próximo dia 12, de Steven Spielberg.

“Por 60 anos, o governo dos EUA manteve um segredo bem guardado. Aliens têm caminhado entre nós, vivido em nossas vizinhanças e interagido conosco no nosso cotidiano”, afirma o texto de abertura, com letras verdes finas sobre um fundo imitando o espaço sideral.

“Eles compraram nas mesmas lojas, participaram das mesmas aulas que nossas crianças e viveram existências humanas aparentemente normais. Com uma exceção —eles não pertencem a este lugar”, diz o texto.

Além do texto introdutório, carregado dos tons xenofóbicos que Trump usa desde sua primeira campanha à Presidência, o site traz um mapa com todos os locais em que imigrantes foram detidos nos EUA, listando nacionalidades e supostos crimes cometidos pelos envolvidos.

“Se você testemunhou a abdução de um alien, não se assuste. O alien está em boas mãos. Nós vamos cuidar dele… e retorná-lo de modo seguro para seu lugar de origem”, afirma o texto, logo acima de uma tarja vermelha incentivando denúncias ao ICE, a agência de imigração do país.

O site tenta ainda reforçar a já distante imagem antissistema de Trump, afirmando que o republicano foi o primeiro a falar do “perigo real dos aliens a toda a família americana”.

“Incontáveis presidentes, congressistas e autoridades sabiam exatamente o que estava acontecendo. Em vez de proteger cidadãos americanos, eles escolheram encobrir isso e até acelerara a invasão. Até que um homem finalmente teve a coragem de dizer a verdade.”

O termo “alien” é usado no sistema legal americano para se referir a qualquer estrangeiro não cidadão americano. Dada a semântica pejorativa da expressão, seu uso tornou-se controverso, e chegou a ser substituído durante o governo de Joe Biden pelo termo “não cidadão”.

Trump restaurou o uso da expressão em seu primeiro dia de retorno à Casa Branca, em 20 de janeiro de 2025, em decreto presidencial nomeado “Protegendo o povo americano da invasão”, no qual utiliza o termo 33 vezes.

Somente até dezembro de 2025, menos de um ano desde seu retorno à Presidência, o republicano havia deportado 113 mil imigrantes, ante 50 mil durante período semelhante, ainda sob Biden, em 2024.

Além do aumento substancial das deportações, as ações das agências de imigração, como o ICE e a Patrulha da Fronteira, fortalecidas por orçamentos turbinados, levaram medo a comunidades migrantes com batidas e detenções sem mandado, agentes mascarados e famílias separadas.

As ações chegaram a seu ponto mais crítico em janeiro deste ano, quando protestos irromperam por todo o país contra a política migratória trumpista.

Em dois deles, em Minnesotta, dois cidadãos americanos foram assassinados durante abordagens. Renee Good e Alex Pretti foram mortos a tiros por agentes migratórios, cujas ações foram defendidas por Trump, autoridades do governo e aliados com declarações contraditórias antes que investigações fossem instauradas.

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