Todos os partidos políticos da Bolívia estão convocados a participar do diálogo da próximo quarta-feira com o governo de Evo Morales para tentar pôr fim aos conflitos que geraram o impasse na Assembléia Constituinte.
O constituinte governista Carlos Romero disse hoje que o encontro, order previsto em princípio para amanhã, information pills foi adiado até quarta-feira, para que possam estar em La Paz todas as forças políticas com representação no Parlamento e na Constituinte.
A Assembléia, que em mais de 13 meses não conseguiu redigir sequer uma linha da nova Constituição, suspendeu temporariamente as sessões até 7 de outubro por falta de garantias para trabalhar em Sucre, sede do fórum, após uma série de protestos violentos da oposição.
As manifestações nas ruas de Sucre começaram em meados de agosto, quando a maioria governista da Constituinte decidiu excluir a proposta da cidade de voltar a abrigar o governo e o Parlamento, que estão em La Paz desde um pequena guerra civil em 1899.
O conflito provocou também a renúncia de David Sánchez, o prefeito (governador) da região de Chuquisaca, cuja capital é Sucre. Ele acabou reassumindo as funções na sexta-feira passada.
Parlamentares do partido Poder Democrático e Social (Podemos, direita), o maior da oposição, propuseram ao Governo Morales na semana passada a convocação um grande “diálogo nacional” para salvar a Constituinte e facilitar o reatamento de suas sessões.
O senador Óscar Ortiz, de Podemos, disse hoje que sua coalizão irá ao diálogo com o Governo “com espírito construtivo”, mas exigiu do partido governista, o Movimento Ao Socialismo (MAS), um compromisso “firme” com o respeito à atual Constituição e às leis vigentes.
Por sua parte, o líder do centrista União Nacional (UN), o constituinte Samuel Doria Medina, disse que a convocação à reunião da quarta-feira com o vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera, é uma “sinal” de que há interesse em solucionar a paralisação da Assembléia.
Para Doria Medina, o diálogo deve voltar ao seio do fórum e a comissão de Concertação, criada justamente para chegar a consensos em torno dos temas mais conflituosos, deve funcionar.
Entre os assuntos “críticos”, estão a reeleição presidencial ilimitada, o litígio entre Sucre e La Paz para ser a capital efetiva do país, a definição do Estado boliviano e a proposta do MAS de eliminar o Senado.
O prazo inicial de trabalho outorgado à Assembléia Constituinte era de um ano, terminado dia 6 de agosto, mas foi obrigado a ampliar seu mandato até dezembro para evitar um fracasso completo.