O primeiro vice-presidente do Governo espanhol, Alfredo Pérez Rubalcaba, reconheceu nesta segunda-feira o risco de represálias por parte do terrorismo jihadista após a morte de Osama bin Laden, mas disse que não é necessário aumentar o nível de alerta existente.
Rubalcaba, além de ministro do Interior, ofereceu uma entrevista coletiva na qual expressou a satisfação do Governo pela ação dos Estados Unidos contra o líder da Al Qaeda e anunciou que o chefe do Executivo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, convocou uma reunião para esta terça-feira para analisar a situação.
A essa reunião irão o próprio Rubalcaba e as ministras de Defesa e de Relações Exteriores, Carme Chacón e Trinidad Jiménez, respectivamente.
Não descarta, como explicou o também porta-voz do Governo, citando algumas “medidas adicionais”, orientadas a aumentar a segurança das tropas espanholas no exterior e das embaixadas.
O vice-presidente considerou “de máxima importância” a morte de Bin Laden e se mostrou convencido que representa “um golpe muito duro a Al Qaeda”.
Apesar disso, reconheceu que não pode descartar represálias porque se trata de uma organização terrorista com “células no mundo todo e com enorme autonomia funcional”, algo que a Espanha sabe bem pelas ações da Al Qaeda no Magrebe.
Explicou que a Espanha tem habitualmente um nível antiterrorista alto e que foi elevado em outubro, como fizeram outros países europeus, diante das diversas informações dos serviços de inteligência.
Concretamente, referiu que, dos quatro níveis existentes, Espanha está no nível dois.
“Não é conveniente elevá-lo e considero que é suficiente para garantir a segurança do dos cidadãos”, declarou, ponderando que nos próximos dias poderia haver alguma decisão sobre medidas adicionais concretas.
Rubalcaba considerou fundamental manter a cooperação internacional contra o terrorismo e advertiu: “de maneira alguma o trabalho acabou” e “não se deve baixar a guarda”.
Acrescentou que os espanhóis se sentem “especialmente afetados” pela morte de Bin Laden após ter sofrido os atentados jihadistas de 11 de março de 2004, nos quais morreram 191 pessoas e quase 2 mil ficaram feridas.
“Hoje nos sentimos aliviados”, confessou o vice-presidente e ministro do Interior.