O ministro do Interior espanhol, Alfredo Pérez Rubalcaba, afirmou hoje que existem provas suficientes para dar verossimilhança ao fato de que os supostos membros da ETA Javier Atristain e Juan Carlos Besance teriam recebido treinamento na Venezuela em julho e agosto de 2008.
Em declarações aos jornalistas, Rubalcaba informou que isso não implica que o Governo do presidente Hugo Chávez tenha a ver com os treinamentos.
Segundo o ministro, “não há nenhuma prova, nem nada que permita nem pelo menos imaginar” que o Executivo de Caracas esteja envolvido no assunto.
“Não há nenhum dado, nenhuma afirmação dos dois supostos ‘etarras’ que permita inferir, coligir, nem pelo menos suspeitar que o Governo venezuelano tem a ver com isso”, reiterou.
Rubalcaba, no entanto, pediu às autoridades de Caracas que averigúem a fundo se os fatos denunciados pelo juiz da Audiência Nacional espanhola Ismael Moreno estão corretos e se os treinamentos tiveram participação do ‘etarra’ Arturo Cubillas, deportado à Venezuela em 1989.
O ministro espanhol qualificou de séria a relação mantida pelo grupo terrorista com Cubillas, que em 2005 foi nomeado para um cargo público pelo Executivo de Chávez.
“Durante algum tempo, a Venezuela representou para a ETA um suspiro da política de pressão”, apontou o titular de Interior da Espanha.
Rubalcaba ressaltou que a colaboração antiterrorista com a Venezuela “melhorou substancialmente” desde março deste ano, quando outro juiz da Audiência Nacional espanhola, Eloy Velasco, denunciou possíveis conexões entre o Governo de Caracas, a ETA e a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).