O vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, lembrou que a Constituição é de aplicação nacional e, por isso, terá que aceitar a vontade do conjunto dos bolivianos mesmo se o “não” for maioria em alguns departamentos.
García Linera se referiu assim aos opositores autonomistas que exigem uma “renegociação” da nova Carta Magna se o “não” vencer nas regiões no referendo de 25 de janeiro.
“Baseamo-nos na lei, não nos desejos de meia dúzia de pessoas que não lê jornal (…). A circunscrição é nacional, não como estão imaginando alguns desorientados”, afirmou García Linera à imprensa.
O projeto que será submetido a referendo no domingo foi pactuado no Congresso entre o partido de Morales e uma parte da oposição, que concordou em introduzir mais de 100 emendas ao texto apresentado pela Assembleia Constituinte, de maioria governista.
O vice-presidente advertiu de que, caso alguém procure o desacato se amparando na vitória do “não” em alguma região, todos os recursos da lei e da democracia serão aplicados, já que se opor à decisão do conjunto dos bolivianos significaria ir contra a democracia e um “desvario mental”.
Ele também vinculou os confrontos isolados registrados em alguns pontos do país durante a campanha constitucional à “paixão política” própria das disputas eleitorais.