O Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca da Argentina anunciou nesta quarta-feira a suspensão dos impedimentos à exportação de trigo, que segundo seus cálculos chegará este ano a 8,2 milhões de toneladas.
A medida representa a livre disponibilidade para exportação de 1,2 milhões de toneladas do grão.
Das quatro patronais agropecuárias argentinas, duas reiteraram sua rejeição às regulações oficiais depois da reunião que dirigentes do setor mantiveram nesta quarta-feira com o ministro da Agricultura, Julián Domínguez, quem ressaltou que o Governo cumpriu com as promessas de ajuda ao campo.
Durante esta campanha agrícola, a Argentina produzirá 10,5 milhões de toneladas de trigo, segundo um comunicado do ministério.
No ano passado, a Argentina exportou 3,19 milhões de toneladas de trigo, enquanto este ano as previsões são de 8,2 milhões.
O ministério também ratificou a oferta de créditos por US$ 210 milhões sem juros e seis meses de prazo para que os produtores de trigo possam reter o grão a fim de conseguir melhores preços, como tinha anunciado na terça-feira a presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner.
Para desgosto das patronais agropecuárias, as exportações de trigo e milho são reguladas pelo Governo desde de 2006 com o propósito de impedir que as altas dos preços internacionais sejam repassadas ao mercado interno.
A suspensão dos impedimentos à exportação de trigo foi anunciada em sintonia com a reunião que Domínguez manteve nesta quarta-feira com os líderes das patronais agropecuárias.
O presidente da Sociedade Rural, Hugo Biolcati, no entanto, se mostrou descontente com as medidas e disse que as regulações devem acabar e deu a entender que a insatisfação no campo poderia desembocar em greves patronais como as de 2008.
Trata-se de uma “política agropecuária que não permite a concorrência. Continuamos na mesma. Não se escutou em absoluto o que nós pedimos”, declarou a jornalistas.
O ministro da Agricultura respondeu que as autoridades cumpriram com as promessas de ajudar a solucionar os problemas do campo e advertiu a seus dirigentes que “terão que explicar ao povo” se resolverem retomar as greves.
“Que bom que hoje estamos falando de uma colheita de trigo da ordem de 14 milhões de toneladas (para a campanha 2011-2012), o que equivale a dizer que o rendimento (dos cultivos) com base nos incentivos dispostos dobrou”, ressaltou Domínguez.
As associações agropecuárias argentinas, que reúnem cerca de 290 mil agricultores e criadores de gado, culpam as multinacionais de exportação de grãos de ficar com a renda dos produtores.
“Semeamos para vender trigo, não para colher créditos”, disse Mario LLambías, presidente de Confederações Rurais Argentinas, outra as grandes patronais.
“Que haja soluções concretas, que se possa exportar o que não se pode consumir”, afirmou, por sua vez, o líder da Federação Agrária Argentina, Eduardo Buzzi, quem acrescentou que atualmente “ganham as multinacionais e perdem os produtores e os consumidores”.
O campo mantém uma disputa com o Governo desde meados de 2008, quando o Parlamento impediu a entrada em vigor de um sistema de impostos móveis às exportações de grãos, que os agricultores consideram muito altos.
Entre meados de 2008 e o início de 2009, as patronais agropecuárias realizaram seis greves na comercialização de seus produtos.