Na carta, reproduzida na íntegra pelo jornal eletrônico chileno “El Mostrador”, o general Donayre qualifica suas expressões de “inapropriadas, que, com justa razão, poderiam ser interpretadas como um gesto pouco amistoso e ofensivo, o que não se ajusta” a seus “verdadeiros desejos”.
Em um vídeo divulgado esta semana no YouTube, que aparentemente data de 2006, o general aparece dizendo: “dei a ordem aqui de que chileno que entra já não sai. Ou sai na gaveta. E se não há gavetas suficientes, sairão em bolsas de plástico”.
Depois, o general afirma que as mulheres podiam agir como “mulheres-bomba”, para seduzir os chilenos e assim ajudar o Exército peruano.
Segundo Donayre na carta, o vídeo foi “incômodo, pouco oportuno e de mau gosto”.
Essas declarações “foram feitas em um contexto íntimo e coloquial, próprio do meu caráter e personalidade, o que derivou em reações e responsabilidades de tipo político e funcionais”, afirma Donayre em sua carta ao embaixador, datada de 26 de novembro.
O general estende suas desculpas “aos cidadãos chilenos”, com a esperança de não prejudicar “as excelentes relações de amizade histórica” que os países mantêm.
O Governo chileno expressou sua irritação com as declarações e se encontra à espera da destituição do militar, conforme anunciou o presidente peruano, Alan García, à líder chilena, Michelle Bachelet, em uma conversa por telefone mantida na terça-feira, quando o vídeo foi divulgado.
No entanto, depois soube-se que a aposentadoria do general já estava prevista antes do escândalo.
Por sua vez, o Governo peruano interpretou a atitude chilena como uma “pressão inaceitável”, mas reiterou seu propósito de manter boas relações com o vizinho.