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Gbagbo se nega a reconhecer Ouattara como presidente da Costa do Marfim

Arquivo Geral

05/04/2011 20h55

O governante da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, afirmou nesta terça-feira que não reconhecerá o líder eleito, Alassane Ouattara, como chefe de Estado, enquanto as negociações continuam em busca de uma saída à crise marfiniana.

 

“Eu ganhei as eleições, não estou negociando minha saída (…) Ouattara não ganhou as eleições”, declarou Gbagbo em entrevista telefônica com a emissora francesa “LCI” gravada às 14h30 do horário de Brasília.

 

Por sua vez, o ministro de Exteriores francês, Alain Juppé, assegurou em declarações à imprensa francesa que as negociações para que Gbagbo reconheça Ouattara, com intermediação das Nações Unidas e do Executivo francês, continuam.

 

A conversa trata “das condições da saída de Gbagbo” do país e do seu reconhecimento por escrito da autoridade de Ouattara.

 

No entanto, Gbagbo negou a existência de “negociações no terreno político”, embora confirmasse que o Exército explora um cessar-fogo com “as outras forças presentes no país”.

 

Após indicar que as únicas negociações possíveis abordam a identidade do vencedor das eleições presidenciais do dia 28 de novembro, Gbagbo afirmou que não é mais que “um litígio eleitoral” e se mostrou disposto a dialogar com seu oponente nesse assunto.

 

“Não entendo como um litígio eleitoral pôde acarretar uma intervenção direta do Exército francês”, assegurou Gbagbo, que acusou as tropas francesas de ter destruído seus depósitos de munição e ter bombardeado o palácio presidencial.

 

O homem que governou a Costa do Marfim desde 2000 confessou estar exausto, mas disse que não está disposto a “deixá-lo”: “Não sou um suicida, amo a vida. Minha voz não é a de um mártir, não busco a morte, mas se chegar, chegará”, acrescentou.

 

s declarações do presidente governante foram registradas quando a maior parte de suas tropas mostraram sua predisposição a render-se após o ataque das forças da ONU e da operação francesa Licorne.

 

Assim anunciou em um comunicado da Missão das Nações Unidas na Costa do Marfim (Onuci), que assinalou que três acusações do entorno de Gbagbo ligaram à missão para indicar que “as Forças de Defesa e Segurança (FDS, leais a Gbagbo) receberam a ordem de render-se perante os Capacetes Azuis e buscar proteção”.

 

Por sua vez, o chefe do Governo francês, François Fillon, assegurou que, junto com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o titular de Exteriores, se reuniu nesta terça-feira com Ouattara, a quem expressaram sua vontade de “contribuir para a construção de um Governo de unidade para assegurar a reconciliação de todos os marfinenses”.

 

O ministro de Defesa francês, Gérard Longuet, assegurou que a situação crítica que vive a ex-colônia francesa se resolverá “nas próximas horas”.

 

Quanto à ofensiva contra as forças de Gbagbo realizada pela Onuci e a operação Licrone, Longuet explicou que aconteceu “sob o mandato da Onuci”.

 

Segundo o titular da Defesa, com esta ofensiva se tratava de “acabar com a situação inaceitável do uso de armamento pesado contra a população civil, em particular disparos em bairros civis sem alvos militares”.

 

O ataque serviu pelo menos para dizimar o armamento das forças leais ao presidente governante, segundo confessou seu ministro de Exteriores, Alcide Djédjé, em declarações à emissora “France 24”.

 

Neste sentido, a Onuci anunciou nesta terça-feira em comunicado que seus ataques aéreos se realizaram “conforme seu mandato”, ao tratar-se de “ações que prevenissem o uso de armas pesadas contra a população civil” em Abidjan.

 

Em comunicado lido na Televisão da Costa do Marfim (TCI) pelo porta-voz Guillaume Soro, primeiro-ministro do Governo de Ouattara, este assegurou que, que se as FDS se unissem às FRCI, não haverá “caça às bruxas”.

 

Além disso, segundo Soro, as forças fiéis a Ouattara estão se organizando para garantir a segurança na cidade, que sofre saques diários.

 

Os conflitos entre as forças leais a Gbagbo e os favoráveis a Ouattara começaram no início de dezembro e já registraram centenas de mortes no país africano, além de causar um êxodo em massa de marfinenses aos países vizinhos.

 

Gbagbo se nega a reconhecer Ouattara como presidente da Costa do Marfim, apesar de que a comunidade internacional reconheça este último como vencedor do segundo turno das eleições do dia 28 de novembro.

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