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G8 propõe padronização das normas de segurança nuclear após Fukushima

Arquivo Geral

24/05/2011 14h09

A crescente demanda por normas de segurança padronizadas internacionalmente nas usinas nucleares após a catástrofe de Fukushima reforçou sua importância entre os assuntos de discussão do Grupo dos Oito (G8), assim como o futuro deste setor energético, sobre o qual os países-membros mantêm políticas muito divergentes.

A Presidência francesa do G8 previu uma primeira sessão de trabalho na cúpula de Deauville (França) na próxima quinta-feira sobre essas questões, ciente de que Fukushima vai mudar as condições para a energia nuclear civil e que a opinião pública espera respostas sobre a segurança.

A França é o país com maior número de reatores em termos relativos – os 58 dos quais dispõe geram em torno de 75% de sua eletricidade – e fez apostou nessa tecnologia com grandes empresas – sobretudo as estatais Areva e EDF.

Assim, o Palácio do Eliseu insiste na mensagem de que, apesar do ocorrido no Japão, o nível das normas de segurança das usinas nucleares é “alto”, e que se não há um padrão internacional é por diversas razões, entre outras a de que há vários modelos de centrais que utilizam tecnologias diferentes.

A melhor forma de evitar que Fukushima represente um colapso da construção de novas usinas nucleares como ocorreu após o acidente de Chernobyl (Ucrânia) em 1986 é provar que não se poupam esforços, também no mais alto nível político, para a segurança.

As doutrinas do acidente na usina japonesa como consequência do tsunami de março serão objeto de uma reunião ministerial organizada pelo G20 (Grupo de países industrializados e emergentes) e o G8 – presididos este ano pela França – junto à Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) entre os dias 7 e 8 de junho em Paris.

Nessa reunião, preparatória de outra de quatro dias da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) no final de junho em Viena, serão estudadas possíveis melhoras das centrais perante riscos de terremotos e tsunamis, mas a princípio não vão ser abordadas outras ameaças potenciais, como ataques terroristas ou a cobertura financeira para os danos de grandes catástrofes.

A data também poderá ser a ocasião para debater uma revisão da escala de acidentes nucleares para que – como quer a agência nuclear da OCDE – não se repita a “contradição” que as catástrofes de Fukushima e Chernobyl tenham a mesma qualificação (nível 8, o máximo).

Mas além da questão da segurança, a Presidência francesa do G8 quer que os líderes destes países, apesar de suas divergentes estratégias a respeito, falem sobre o futuro da energia nuclear.

Para orientar esse debate, a França encadeou a sessão em Deauville sobre política nuclear com outra sobre a mudança climática, já que, entre os argumentos franceses em favor da energia atômica, um dos mais importantes é o que constitui um dos principais meios para limitar as emissões causadoras do aquecimento global.

Dessa forma, pretende-se que os países que anunciaram que vão fechar suas usinas nucleares e prescindir desta energia – como a Alemanha – expliquem como pretendem respeitar sem elas os compromissos em termos de emissões de dióxido de carbono nas próximas décadas.

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