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G8 busca cooperação a longo prazo com países árabes

Arquivo Geral

24/05/2011 14h10

As revoltas vividas nos países árabes, em particular na Tunísia e no Egito, e a esperança das mudanças trazidas com elas, são um dos temas centrais da cúpula do Grupo dos Oito (G8, formado pelos países mais ricos do mundo e Rússia) em Deauville (França), que na quinta e sexta-feira deve obter um acordo de cooperação a longo prazo com essas nações.

O Palácio do Eliseu diz que o objetivo é ajudá-las a consolidar a transição democrática empreendida, seja nos aspectos institucional ou econômico, através de instrumentos que poderiam ser de utilidade a elas, como o Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (Berd).

A França acredita que a experiência dessa organização pode servir para orientar os países da ribeira sul do Mediterrâneo no desenvolvimento de uma economia de mercado próspera, por isso propõe sua colaboração no projeto de cooperação que espera que seja aprovado.

O Berd já se antecipou a esta proposta em reunião realizada neste fim de semana em Astana (Cazaquistão), na qual seu Conselho de Governadores pediu aos diretores da organização que façam chegar suas ideias e recomendações até 31 de julho com o objetivo de ampliar os empréstimos ao Oriente Médio e ao norte da África.

O banco analisará como dirigir fundos a Egito, Marrocos e outros Estados, da mesma maneira que ajudou países do antigo bloco soviético em sua transição para economias de mercado, e, para isso seu presidente, Thomas Mirow, afirmou que podem ser investidos até US$ 2,5 bilhões anuais na região.

Outros parceiros previstos nessa colaboração são o Banco Mundial (BM), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a ONU, que estarão representados, respectivamente, por Bob Zoellick, John Lipsky e Ban Ki-moon.

Esses três diretores, junto com os chefes de Estado e de Governo do G8, os primeiros-ministros de Tunísia e Egito, assim como do secretário-geral da Liga Árabe, Amre Moussa, vão se reunir na sexta-feira para definir os termos desse acordo.

E, em linha com cúpulas prévias, serão recebidos os membros da Nova Aliança para o Desenvolvimento da África (Nepad), mas, desta vez, a declaração sobre a cooperação estabelecida com eles será conjunta, e não negociada pelo G8 separadamente.

Estarão presentes os chefes de Estado de Argélia, Egito, Etiópia, Nigéria, Senegal e África do Sul, e, por proposta da França, os de Guiné, Níger e Costa do Marfim, com os quais o G8, segundo o Eliseu, quer prestar homenagem às democracias emergentes e aos países que avançam em busca de maiores liberdades.

Nessa sessão de trabalho e na de encerramento serão abordadas ainda as crises de países como Sudão, Somália e Zimbábue, e como além da ajuda pública, considerada indispensável, esses países requerem investimentos em formação e em criação de empresas.

Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia também aproveitarão o encontro para analisar a situação em Líbia, Síria e Iêmen, para falar do processo de paz no Oriente Médio e de outros assuntos vinculados a essa região, como as consequências da morte do terrorista Osama bin Laden.

Será o momento também de analisar o impacto desencadeado pelas revoltas árabes na economia mundial e de renovar os esforços para a reativação da União pelo Mediterrâneo (UPM), considerada pela Presidência francesa do G8 mais necessária do que nunca.

A democracia e as liberdades nos países árabes, além do projeto de cooperação que nascerá desta cúpula, serão, portanto, os eixos centrais da reunião, cujos membros continuarão trabalhando nos próximos meses para atender às reivindicações dessas nações.

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