As nações do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países ricos e os principais emergentes) estão perto de alcançar um acordo sobre o espinhoso tema das desvalorizações competitivas de divisas.
Após dois dias, os negociadores dos países conseguiram redigir uma minuta da declaração que adotarão os líderes do G20 ao concluir a cúpula de Seul nesta sexta-feira.
Na minuta, a que teve acesso a Agência Efe, o G20 insta os mercados a “deter as desvalorizações competitivas”, na linha do que acordaram os ministros de Finanças do grupo na reunião que mantiveram na cidade sul-coreana de Gyeongju no fim de outubro.
A declaração, segundo a minuta, vai além e acrescenta que os países devem abster-se também de “manter as taxas de câmbio abaixo do seu nível de equilíbrio por motivos competitivos”.
Fontes ligadas à negociação explicaram à Efe que este enunciado, apesar de não ser definitivo, foi bem recebido pelos países e pode ser aceito como uma solução de consenso para atenuar a chamada “guerra de divisas”.
Na abertura das sessões de trabalho dos líderes, o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, afirmou que as negociações em andamento estavam registrando “grandes progressos”, embora não tenha dado detalhes a respeito.
Nas últimas semanas, os Estados Unidos intensificaram as acusações de que a China está freando a apreciação do iuane para favorecer suas exportações, o que está obrigando outros países emergentes a tomarem medidas similares para não perder competitividade frente o gigante asiático.
A medida, segundo os EUA, aumenta os desequilíbrios mundiais tanto em matéria comercial como no balanço de pagamentos dos países.
Na outra ponta do conflito, as nações exportadoras, como China e Alemanha, acusaram os EUA de infringirem suas próprias regras ao desvalorizar o dólar com a injeção em massa de US$ 600 bilhões em sua economia, medida aprovada pelo Federal Reserve na semana passada.
Na minuta, os países se comprometem ainda a desenvolver medidas que permitam “reduzir os desequilíbrios externos excessivos e manter os desequilíbrios por conta corrente em níveis sustentáveis”.
Os líderes também apoiam um Fundo Monetário Internacional (FMI) “moderno”, com “a maior representação” das economias emergentes e nações em desenvolvimento, reforma aprovada na semana passada pelo Conselho Executivo do organismo.
Além disso, as nações se comprometem a trabalhar para alcançar uma conclusão bem-sucedida e equilibrada na Rodada de Doha.