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Fujimori será julgado por violação dos direitos humanos em novembro

Arquivo Geral

05/10/2007 0h00

O ex-presidente peruano Alberto Fujimori será levado aos tribunais por suposta violação dos direitos humanos em 26 de novembro, price informou hoje o presidente da Sala Penal Especial da Suprema Corte do Peru, César San Martín.

“Vamos iniciar o julgamento dele com os casos de La Cantuta, Barrios Altos e dos porões do SIE (Serviço de Inteligência do Exército). Nessa ordem, e, progressivamente, vamos ver os outros processos”, disse San Martín, em entrevista coletiva no Palácio da Justiça de Lima.

O chefe da Sala Penal Especial da Corte Suprema do Peru se referia à morte de um total de 25 pessoas em Barrios Altos (1991) e na Universidade La Cantuta (1992), ambos em Lima, e aos seqüestros em 1992 do jornalista Gustavo Gorriti e do empresário Samuel Dyer no caso denominado “Porões do Serviço de Inteligência do Exército (SIE)”.

A Promotoria peruana pede 30 anos de prisão e o pagamento de 100 milhões de novos sóis (US$ 327 mil) por Barrios Altos e La Cantuta, os casos mais emblemáticos de violação dos direitos humanos atribuídos ao regime fujimorista (1990-2000).

Posteriormente, o ex-governante será julgado pela escuta telefônica de conversas de políticos e empresários, pela compra de um canal de notícias com fundos públicos e pelos pagamentos a congressistas para que mudassem de partido e apoiassem sua reeleição em 2000, acrescentou San Martín.

Por outro lado, a Suprema Corte julgará separadamente o pagamento de US$ 15 milhões ao ex-assessor presidencial Vladimiro Montesinos pelos serviços prestados ao regime fujimorista.

O chefe da Sala Penal insistiu em afirmar que os processos contra Fujimori são “sumamente complexos”, e que envolvem uma “multiplicidade de alegações, testemunhas e peritos”.

Além disso, assegurou que os magistrados trabalharão “sem nenhum tipo de contaminação política” e que vão “dirigir o debate de forma imparcial”, visando a uma sentença objetiva.

Neste contexto, San Martín anunciou que solicitou ao Poder Judiciário “dedicação exclusiva” dos magistrados e suspensão das férias destes, após detalhar que os julgamentos serão realizados em sessões completas às segundas, quartas e sextas-feiras.

Além disso, San Martín confirmou na entrevista coletiva que os julgamentos ocorrerão na Direção de Operações Especiais (Diroes) da Polícia, onde se encontra recluso o ex-líder desde sua chegada a Lima em 22 de setembro.

Fujimori também será interrogado no próximo dia 12 por outro dos casos incluídos no processo de extradição: a invasão à casa da ex-esposa de Montesinos, Trinidad Becerra, para supostamente apreender provas que o incriminassem.

A declaração de Fujimori neste caso estava prevista para a última quarta-feira, mas foi adiada a pedido de seu advogado, Cesar Nakazaki, por considerar que o expediente não se adequava aos termos do processo de extradição.

Fujimori, que renunciou à Presidência em novembro de 2000 em território japonês, chegou cinco anos mais tarde ao Chile, onde teve de lidar com um processo de extradição.

A Suprema Corte do Chile decidiu-se em 21 de setembro último pela extradição do ex-líder por dois delitos de violação dos direitos humanos e cinco de corrupção.

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