O ex-presidente do Peru Alberto Fujimori (1990-2000) negou hoje as acusações de violação dos direitos humanos durante o seu Governo e, more about em tom exaltado, sale afirmou que fez o contrário: resgatou-os “para 25 milhões de peruanos”.
Fujimori rompeu o estado impassível com que ouviu as acusações apresentadas pela Promotoria no momento em que César San Martín, check presidente do tribunal, perguntou se ele aceitava os termos do início do julgamento.
“Trata-se de um fato histórico, porque, por causa do meu Governo, os direitos humanos de 25 milhões peruanos foram recuperados. Se foram cometidas algumas violações dos direitos humanos, rejeito-as, como também rejeito as acusações. E não aceito a acusação da Promotoria e peço que inicie o julgamento”, disse Fujimori ao juiz, claramente exaltado.
O ex-presidente disse que recebeu em 1990 seu país “em colapso”, com alta inflação, em isolamento financeiro internacional e acossado pelas ações violentas do grupo armado Sendero Luminoso.
Também existiam grupos paramilitares como o chamado “Comando Rodrigo Franco”, que – segundo a imprensa peruana – tinha vínculos com o primeiro Governo do presidente Alan García (1985-1990), apontou.
Fujimori acrescentou que “com esta situação, com o país sangrando, houve reformas dentro do contexto do respeito aos direitos humanos”.
A alegação do ex-presidente foi interrompida por San Martín, afirmando que o réu tinha “que respeitar a direção do tribunal”.
“Aqui comando eu”, disse San Martín, enfático, para depois ressaltar que ao longo do processo Fujimori terá “a oportunidade de responder todas as perguntas”.
Fujimori assegurou, com a voz abalada, que “sua defesa será à base de provas e não de indícios”. Em seguida houve aplausos de um grupo que assistiu ao processo. O juiz então lembrou que “está proibido qualquer tipo de manifestação a favor ou contra”.
O ex-presidente está sendo julgado em um quartel de Polícia de Lima. Ele é acusado dos massacres de Barrios Altos (1991) e La Cantuta (1992), nas quais morreram 25 pessoas, e dos seqüestros do jornalista Gustavo Gorriti e do empresário Samuel Dyer.
A promotoria o acusa de ter planejado, organizado e dirigido as ações, cometidas pelo grupo militar Colina, e pede que ele seja condenado a 30 anos de prisão e a pagar US$ 100 milhões em indenizações.
No início do julgamento, os membros do tribunal emitiram um pronunciamento assegurando que serão “firmes” em suas decisões e reconheceram que são “conscientes da expectativa social” gerada.
Além disso, destacaram sua “independência e imparcialidade judicial” e o “pleno respeito aos princípios do direito penal”.
O Ministério Público pediu, posteriormente, que sejam estabelecidas “algumas margens complementares à indenização civil”, que incluam “medidas de reabilitação, atendimento médico, psicológica e social para as vítimas”.
Também pediu medidas de satisfação, para a “dignificação das vítimas” e “de não repetição”, mediante a exortação “aos poderes Executivo e Legislativo a adequar a legislação vigente aos padrões do direito internacional”.
Entre os presentes, em uma sala ao lado, estavam três dos filhos de Fujimori (Keiko, Sachi e Kenji) e as principais lideranças do “fujimorismo”.
Nos arredores do prédio, um grupo de correligionários bradava a inocência do ex-presidente, enfrentados por outro que levava bandeiras da Confederação Geral de Trabalhadores do Peru (CGTP).
Atualizado às 18h25.