Menu
Mundo

Fronteira tunisiana está à beira do caos perante avalanche de refugiados

Arquivo Geral

27/02/2011 17h00

 

A situação na fronteira tunisiana pela passagem de Ras al-Jedir se encontra à beira do caos perante a avalanche de refugiados que a cruzaram neste domingo e que pode causar um grave problema humanitário ao Governo tunisiano.

 

Dado que o líder líbio, Muammar Kadafi, parece controlar cada vez menos parte do território de seu país, os refugiados, em sua imensa maioria egípcios e tunisianos, passaram neste domingo em massa pelo posto tunisiano de Ras al-Jedir, onde o Exército da Tunísia, algumas organizações humanitárias, e agências internacionais como Acnur e a Cruz Vermelha, tentam canalizar a avalanche humana.

 

Segundo dados anunciados neste domingo em entrevista coletiva pelo representante da Organização das Nações Unidas (ONU) em Túnis, Mohammed Ben Hussein, calcula-se que desde o dia 23 de fevereiro cerca de 45 mil pessoas cruzaram a fronteira por Ras al-Jedir, por isso que se teme uma deterioração da situação humanitária, “que até agora pudemos controlar”.

 

Em geral, as organizações humanitárias internacionais se mostraram “muito preocupadas” pela situação na zona, ao que se soma a instabilidade reinante em Túnis, onde neste domingo renunciou o primeiro-ministro e chefe do executivo de transição, Mohamed Ghannouchi.

 

Por sua parte, Feyraz Feiyal, representante do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur), manifestou que as organizações humanitárias estão respondendo rapidamente ao pedido do Governo tunisiano para atender esta crise e ressaltou o “extraordinário trabalho” solidário que estão fazendo o Governo o Exército e o povo tunisiano.

 

Feiyal pediu à comunidade internacional “que se mostre tão generosa em sua ajuda como está sendo a população tunisiana”, em particular a da localidade de Ben Guerdan, a mais próxima à fronteira.

 

Ben Hussein declarou que “até agora foi possível controlar o fluxo de refugiados que cruzavam a fronteira, mas isto cada vez resulta mais difícil”.

 

“Estamos trabalhando em colaboração com a Organização Internacional de Migrações (OIM), o Programa das Nações Unidas para os Alimentos e outras agências de modo que se possa proporcionar cobertura a todas as pessoas que cruzarem por aqui”, indicou Ben Hussein.

 

Por sua vez, Feiyal disse que no sábado aterrissaram no aeroporto da ilha de Djerba, o mais próximo à fronteira, dois aviões Boeing 747 carregados de material humanitário, em particular barracas, colchões e cobertores que são os elementos que mais necessitam nestes momentos.

 

Perante a necessidade de veículos de toda classe que possam transferir os refugiados até o acampamento provisório montado pelo Exército tunisiano a oito quilômetros de Ras al-Jedir, as autoridades inclusive deslocaram até aqui, segundo constatou a Agência Efe, pelo menos 10 ônibus urbanos da cidade de Túnis, situada a 600 quilômetros da fronteira.

 

Boa parte dos refugiados que chegaram neste domingo em Ras al-Jedir procedem de Trípoli e das cidades próximas à capital líbia, onde ainda parece que Kadafi se mantém firme.

 

Ahmed, um refugiado egípcio, disse à Agência Efe que passou três dias no aeroporto de Trípoli, “onde há muitíssima gente” que foge dos combates na cidade.

 

A Polícia líbia, segundo disseram alguns refugiados egípcios, estão repreendendo os cidadãos desta nacionalidade concentrados no aeroporto, e batem neles com o menor pretexto.

 

“Chegaram inclusive a baterem com bastões que lançavam descargas elétricas”, disse Ahmed, que assinalou que muitas vezes seus próprios companheiros lhes disseram para os que vão partir rumo a Tunísia para não serem muito explícitos com a imprensa para evitar represálias dos líbios.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado