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Mundo

Frente Polisário pede que Marrocos não <i>bloqueie</i> independência saaráui

Arquivo Geral

07/10/2009 0h00

A Frente Polisário pediu hoje na Assembleia Geral da ONU para que a estratégia do Marrocos de “bloquear” uma saída negociada ao conflito pelo Saara Ocidental não impeça o povo saaráui de alcançar sua independência.

O representante da Frente Polisário nas Nações Unidas, Ahmed Bujari, afirmou em discurso ao comitê de descolonização do organismo que Rabat tenta impor uma situação “de fato” no território contrária à legalidade internacional.

“Se o Marrocos decidir continuar com sua atual estratégia de bloquear toda paz crível e de obstruir toda negociação séria e honesta, nosso direito de estar aqui com os senhores como nação soberana e independente, responsável e capaz de cumprir com suas obrigações, não deve ser postergado mais tempo”, afirmou o responsável saaráui.

Segundo Bujari, na recente reunião entre as partes na Áustria, sob o auspício da ONU, não houve uma aproximação de posições devido à “insistência” marroquina de excluir das negociações a realização de um plebiscito que inclua a independência entre as opções.

Com essa postura, Rabat descumpre a vontade expressada em abril de 2007 pelo Conselho de Segurança da ONU de um processo de negociação “sem condições prévias”, opinou Bujari.

A descolonização do território saaráui está há mais de 40 anos na agenda das Nações Unidas, lembrou o porta-voz da Frente Polisário, para o qual o prolongamento do conflito causa “um sofrimento injusto” e representa “um fracasso coletivo” para a comunidade internacional.

Bujari lembrou que, antes de iniciar a ocupação da ex-colônia espanhola em 1975, o Governo marroquino expressou em repetidas ocasiões na ONU e em organismos regionais africanos seu apoio ao direito à independência do povo saaráui.

“Marrocos segue abraçado à ilusão colonial de anexar nosso país, com o que ignora não só a posição da comunidade internacional, mas seus próprios compromissos”, apontou.

O dirigente saaráui lamentou que o atual “ponto morto” do conflito sirva para que Rabat explore “ilegalmente” os recursos naturais do Saara Ocidental, como o fosfato ou a pesca, em colaboração com outros países, inclusive da União Europeia.

Além disso, acusou as autoridades marroquinas de exercer “uma repressão sistemática” do povo saaráui que já foi denunciada por organizações internacionais como Freedom House, Anistia Internacional e Human Rights Watch.

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