Quase uma semana após um atentado racista na região de Paris, as autoridades francesas proibiram um colóquio da extrema direita radical sobre a “remigração”, previsto para sábado, e uma manifestação marcada para domingo na capital.
As proibições ocorrem em um contexto de apelos a contramanifestações e em um momento de aumento das tensões no cenário político francês, a seis meses das eleições presidenciais, nas quais a candidata de extrema direita Marine Le Pen aparece nas pesquisas como favorita.
Nesse contexto, o nacionalista radical austríaco Martin Sellner afirmou nesta quinta-feira que foi proibido de entrar na França, depois que as autoridades vetaram a conferência sobre a “remigração”.
O termo “remigração” é utilizado pela extrema direita radical para definir sua política de expulsão em massa de pessoas de origem estrangeira.
Desde o atentado da semana passada em Trappes, no qual um homem negro foi assassinado e outras sete pessoas ficaram feridas, a esquerda, mas também figuras mais centristas, vêm criticando a extrema direita e determinados veículos de comunicação por terem criado um ambiente propício a esse tipo de violência.
“A pedido do ministro do Interior, tendo em vista os riscos de perturbação da ordem pública, especialmente após o atentado de Trappes”, as autoridades “emitiram duas ordens de proibição”: uma para o fórum organizado no sábado em Le Plessis-Robinson e outra para a manifestação prevista para domingo em Paris.
Organizações de esquerda e sindicatos multiplicaram os apelos à “mobilização antifascista”, especialmente para a manhã de sábado em Le Plessis-Robinson.
Nessa cidade a oeste de Paris, estava prevista uma conferência intitulada “Remigração: vamos abrir o debate”, organizada pelo ex-dirigente eleito da Frente Nacional – rebatizada de Reunião Nacional, partido de extrema direita – Jean-Yves Le Gallou.
O prefeito do departamento de Hauts-de-Seine sustenta que essa iniciativa se baseia “em uma ideologia xenófoba e racista, fundamentada na convicção de que os imigrantes são todos, por essência, uma ameaça ao futuro dos países europeus e não têm vocação para permanecer na Europa”.
AFP