A França antecipou que “não há consenso” entre os membros do Conselho de Segurança para adotar nesta quinta-feira de forma unânime o projeto de resolução que autoriza o uso da força na Líbia para proteger a população civil e deter a ofensiva de Muammar Kadafi contra os rebeldes.
O embaixador da França perante a ONU, Gérard Araud, indicou que, em sua opinião, correrá “mais de uma abstenção e alguma surpresa”.
Araud não informou se acha que China ou Rússia, como países-membros permanentes do principal órgão de decisões das Nações Unidas, evitarão exercer seu direito ao veto apesar se suas reservas ao uso da força.
O Conselho de Segurança da ONU votará, a partir das 19h de Brasília, esse projeto de resolução, sobre o qual seus 15 países-membros mantiveram negociações por várias horas, da mesma forma que na quarta-feira.
“Esperamos tomar ações muito em breve. Há acordo. Se existe consenso, não posso falar pelos outros”, indicou o presidente rotativo do Conselho de Segurança, o embaixador chinês Li Baodong.
Segundo fontes diplomáticas, o documento auspiciado por franceses, britânicos e libaneses, que será submetido a votação, inclui a adoção de “todas as medidas necessárias para proteger a população da Líbia”, a exceção de uma ocupação militar do país.
Também inclui um pedido de cessar-fogo imediato, como solicitou a Rússia, e um endurecimento das sanções impostas ao regime de Kadafi, além de uma zona de exclusão aérea.
Fontes diplomáticas ocidentais assinalaram que a resolução é “forte” e envia uma “mensagem firme” ao líder líbio.
Após a reunião da manhã, os embaixadores pararam para entrar em contato com suas capitais e receber instruções sobre a votação que acontecerá em algumas horas.
O ministro de Relações Exteriores francês, Alain Juppé, se deslocou a Nova York para se unir às negociações e pressionar os países reticentes a empregar a força para ajudar os rebeldes líbios.
Um dos elementos que centrou esse debate foi o desejo de algumas delegações de contar com medidas adicionais, possivelmente ataques aéreos, para frear o avanço das tropas de Kadafi, particularmente sua ofensiva no reduto rebelde em Benghazi.
Nessa linha, o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, pediu há algumas horas para as Nações Unidas chegarem a um acordo o mais rápido possível para intervir na Líbia e evitar uma “inaceitável” vitória do regime de Kadafi frente aos rebeldes.