O fotógrafo britânico Paul Conroy, do jornal “Sunday Times”, foi resgatado da cidade de Homs, na Síria, e transferido de maca para o Líbano em uma operação que durou cerca de 26 horas e matou 13 colaboradores sírios, informou nesta terça-feira (28) a imprensa do Reino Unido.
De acordo com o “The Times”, Conroy, ferido em um bombardeio em Homs, conseguiu sair do país graças a um plano de retirada no qual, em princípio, incluía os jornalistas Javier Espinosa, do “El Mundo”, e Edith Bouvier, do “Le Figaro”, além do fotógrafo francês William Daniels.
O jornal “The Times” informou que o grupo de jornalistas e os ativistas sírios que os acompanhavam partiram de Homs na noite de domingo, mas tiverem de se separar logo após serem bombardeados e os outros três tiveram de voltar.
Conroy pôde prosseguir com o plano de fuga através de uma rota de contrabando de 32 quilômetros até a fronteira libanesa estabelecida dez meses antes pela organização de direitos humanos Avaaz e voluntários sírios para levar remédios e tirar os feridos da cidade de Homs, sitiada pelo Exército sírio.
Segundo o jornal, a rota é utilizada pela noite por jornalistas sírios e auxiliares médicos formados pela Avaaz para chegar a Homs e atender aos cidadãos, e foi usada neste ano por 45 jornalistas ocidentais.
Um porta-voz da Avaaz em Beirute disse ao “The Times” que a notícia da chegada do fotógrafo britânico ao Líbano tinha colocado a operação em perigo, pois os demais jornalistas ainda não tinham conseguido sair da Síria.
O jornal informou que pelo menos 13 voluntários sírios morreram tentando salvar os jornalistas, algo que a Avaaz classificou como “grande tragédia”.
Para levar Conroy, o grupo teve de passar por campos minados, patrulhas oficiais e bases do Exército. Enquanto isso, era possível localizar onde estavam através de um celular com conexão via satélite a seus colegas do “Sunday Times” em Beirute e aos ativistas que coordenaram o resgate.
Os quatro jornalistas, sobreviventes do bombardeio que na última quarta-feira matou a repórter do “Sunday Times” Marie Colvin e o fotógrafo francês Remi Ochlik, haviam se negado a ser retirados em ambulâncias da Cruz Vermelha síria por considerarem perigoso.
Segundo o porta-voz da Avaaz, a operação de resgate de Conroy durou “cerca de 26 horas do começo ao fim”, e agora o britânico se recupera de seus ferimentos no Líbano, enquanto ainda se esperam notícias de seus colegas.