O prêmio de Fotografia do Ano do concurso World Press Photo 2026 foi atribuído à imagem intitulada ‘Separated by ICE’, capturada pela fotógrafa Carol Guzy para o jornal Miami Herald. A foto foi selecionada entre mais de 57 mil candidaturas enviadas por 3.747 fotógrafos de 141 países.
A imagem registra um momento angustiante no interior de um tribunal de imigração em Nova York, em 26 de agosto de 2025, quando Luis, um migrante equatoriano sem antecedentes criminais e único sustento de sua família, foi detido por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). Sua esposa, Cocha, e os três filhos, de 7, 13 e 15 anos, ficaram inconsoláveis, enfrentando dificuldades financeiras e trauma emocional com a separação.
O júri destacou que a fotografia não documenta apenas um momento isolado de luto, mas prova de uma política governamental aplicada sistematicamente a imigrantes que seguem as regras impostas. A presença da câmera em edifícios federais é essencial em uma democracia, segundo os avaliadores.
Entre as outras premiadas, está ‘Aid Emergency in Gaza’, de Saber Nuraldin, da agência EPA Images, capturada em julho de 2025. A foto mostra dezenas de palestinos subindo em um caminhão de ajuda humanitária no posto de passagem de Zikim, em busca de farinha. Nuraldin, nascido em Gaza, documenta a região desde 1997. Apesar de um cessar-fogo em outubro, mais de 75% da população enfrenta fome e desnutrição, de acordo com a ONU, que registra pelo menos 2.435 palestinos mortos em locais de distribuição de ajuda entre maio e outubro.
Outra imagem distinguida é ‘The Trials of the Achi Women’, de Victor J. Blue para a revista do The New York Times. Ela retrata Paulina Ixpatá Alvarado, vítima de violência em 1983, ao lado de outras mulheres indígenas Maya Achi na porta de um tribunal em Cidade da Guatemala, em 30 de maio de 2025. Três ex-patrulheiros da Defesa Civil foram condenados a 40 anos de prisão por violação e crimes contra a humanidade. Após quatro décadas de silêncio, 36 mulheres iniciaram em 2011 uma batalha judicial de 14 anos, transformando impunidade em vitória para a justiça, em meio ao contexto de genocídio durante a guerra civil guatemalteca.