Forças de Israel mataram hoje na Faixa de Gaza quatro palestinos, doctor advice três deles membros do grupo militante Hamas, relataram moradores da região. Esse é o pior episódio de violência entre israelenses e palestinos das últimas semanas.
O ataque contribuiu para elevar a tensão no território costeiro densamente povoado. A área vem sendo palco de choques entre as forças leais ao governo controlado pelo Hamas e os grupos ligados ao movimento Fatah, do presidente palestino, Mahmoud Abbas, um político moderado.
Um adolescente palestino foi morto e cerca de 50 pessoas ficaram feridas em combates entre a Fatah e o Hamas iniciados depois de um líder local e de um membro de um serviço de inteligência dominado pela Fatah terem sido mortos em incidentes ocorridos ontem.
O primeiro-ministro palestino, Ismail Haniyeh, ligado ao Hamas, disse a fiéis muçulmanos em uma mesquita da cidade de Gaza: "Estamos comprometidos em não mergulhar em uma luta interna ou na chamada guerra civil".
Abbas avalia a possibilidade de depor o governo liderado pelo Hamas ou de convocar um plebiscito a respeito da realização de novas eleições, disseram assessores dele.
Mas um importante líder político do Hamas, o parlamentar Fathi Hammad, disse: "Não vamos permitir a convocação de eleições antecipadas. Estamos comprometidos com a lei que concedeu um mandato de quatro anos a esse governo". Hammad não contou o que o grupo faria para impedir a eventual votação.
O cenário atual, que envolve os piores embates internos da última década, alimentou temores de que os palestinos mergulhem em uma guerra civil. Esses temores aumentaram depois do fracasso das negociações entre Abbas e Haniyeh a respeito da formação de um governo de unidade nacional.
O parlamentar Ahmed Al-Holi, da Fatah, pediu ao Hamas que ponha fim à violência interna. "Ao invés de disparar RPGs (granadas lançadas por foguete) contra as casas de membros da Fatah, o Hamas deveria enfrentar os tanques israelenses", afirmou.
Israel lançou uma ofensiva contra a Faixa de Gaza em junho, depois de um soldado do país ter sido capturado. O Estado judaico afirmou que a ação militar visa também colocar fim ao disparo de foguetes vindos da Faixa de Gaza.
Ontem, pela primeira vez em um mês, o Hamas retomou os ataques com foguete contra Israel. No mesmo dia, nove palestinos, entre os quais três militantes do Hamas, foram mortos.
Quase 240 palestinos, cerca de metade deles civis, foram mortos desde que Israel lançou a atual ofensiva contra a Faixa de Gaza. Soldados israelenses retiraram-se da região um ano atrás, colocando fim a uma ocupação de 38 anos.