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Forças afegãs põem fim a ataque talibã em Kandahar

Arquivo Geral

09/05/2011 13h10

Após dois dias de intensos combates, forças afegãs e internacionais puseram fim a um dos mais audazes ataques talibãs dos últimos anos, ocorrido na cidade de Kandahar e que deixou 30 mortos.


Segundo relataram nesta segunda-feira fontes oficiais e o governador da cidade, Tooryali Wesa, na ação armada lançada no sábado pelos insurgentes morreram 26 talibãs, três membros das forças afegãs e um civil, enquanto outros 16 civis e 24 soldados afegãos ficaram feridos.

“A situação está sob controle”, disse Wesa na manhã desta segunda-feira em entrevista coletiva.

Os talibãs haviam executado anteriormente ataques de comandos contra hospedarias, shoppings e até edifícios administrativos, mas nunca tinham contado com a participação de tantos comandos coordenados.

Em grupos, os insurgentes – entre os quais havia oito suicidas – atacaram um total de dez edifícios, entre delegacias, escritórios administrativos e dos serviços de inteligência, duas escolas e a sede do governador, a principal autoridade local.

Em seus combates contra as tropas afegãs e a Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf), os agressores causaram 15 explosões e geraram um clima de pânico na cidade, que ficou com as ruas desertas.

Os últimos insurgentes se entrincheiraram no hotel Kandahar, de onde continuaram atacando os escritórios do próprio governador, antes que as forças de segurança conseguissem abatê-los, já na noite do domingo.

“A operação terminou com as mortes dos três insurgentes que resistiam no interior do edifício”, disse nesta segunda-feira à Agência Efe Zalmai Ayubi, porta-voz do governo provincial de Kandahar.

“Ainda está em andamento uma operação de buscas para checar se restam mais insurgentes”, especificou em comunicado o escritório do governador, que revelou que suas tropas explodiram dez veículos carregados com explosivos.

A província de Kandahar, localizada na conturbada região sul do Afeganistão, é o berço histórico do movimento talibã, e atualmente os arredores da cidade seguem sendo um dos principais celeiros da atividade insurgente no Afeganistão.

Parte da intensidade do ataque armado está relacionada com a fuga de cerca de 500 presos – muitos deles insurgentes – da penitenciária da cidade, através de um túnel escavado do lado de fora pelos próprios talibãs em 25 de abril.

Após assumir a falha da segurança, as forças afegãs se lançaram em busca dos foragidos e prenderam várias dezenas de pessoas, mas o porta-voz de Interior, Zemarai Bashary, reconheceu que alguns deles participaram do ataque.

“O ação foi executada por vários de nossos membros a fim de capturar a cidade de Kandahar. Matamos 116 soldados, entre eles seis estrangeiros”, disse à Efe o porta-voz talibã Mohammed Yousuf Ahmadi.

Os talibãs anunciaram em 30 de abril o início de sua ofensiva anual da primavera (do Hemisfério Norte), um período no qual executam ataques contra instalações das tropas estrangeiras desdobradas no Afeganistão, bem como do governo e das forças afegãs.

“A ação buscava ser um ataque espetacular da ofensiva de primavera, que foi reprimida pelas forças afegãs”, afirmou em comunicado um porta-voz da Isaf, o general James B. Laster.

O ataque ocorreu horas depois que os talibãs afirmaram que a morte de Osama bin Laden pelas forças especiais dos Estados Unidos no Paquistão lhes daria um “novo impulso” em sua luta contra as tropas estrangeiras.

O próprio presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, ao condenar a ação armada, chegou a dizer que os insurgentes pareciam estar buscando uma “vingança” pela morte do chefe da Al Qaeda, mas os talibãs não confirmaram esta hipótese.

As forças estrangeiras desdobradas no Afeganistão, compostas por cerca de 150 mil soldados, devem começar a se retirar em julho, uma data na qual as forças afegãs assumirão a responsabilidade da segurança em sete regiões do país.

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