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Mundo

FMI diz que inflação é o maior risco para América Latina

Arquivo Geral

29/05/2008 0h00

O diretor do departamento da América Latina do Fundo Monetário Internacional (FMI), advice Anoop Singh, and disse hoje que a inflação, pilule e não a desaceleração econômica, é o maior risco que a região enfrenta e pediu aos bancos centrais para agir para contê-la.

Apesar disso, Singh elogiou as autoridades monetárias do Brasil e do México por agir “de forma preventiva” para controlar a inflação com altas das taxas de juros.

A zona agüentou bem as turbulências financeiras, pois seus bancos não investiram nos títulos hipotecários “tóxicos” que afundaram a economia dos Estados Unidos e suas finanças se beneficiam de seus novos vínculos com a China, explicou Singh.

No entanto, a alta de preços, o velho inimigo da América Latina, renasceu das cinzas.

“O desafio mais imediato para a região é a inflação”, ressaltou Singh em um seminário no American Enterprise Institute, um centro de estudos conservador.

O economista indiano afirmou que as autoridades monetárias “devem seguir os marcos estabelecidos para alcançar suas metas de inflação” e resistir à tentação de mudar esses objetivos devido à extraordinária alta do petróleo e dos alimentos.

Alguns bancos centrais hesitaram em subir as taxas de juros, pois vêem essas altas como efeitos que chegam de fora de suas economias e que poderiam mudar de rumo, segundo os analistas.

No entanto, o FMI acredita que a alta de preços das matérias-primas “não é temporária”.

“Nossas previsões (de preços das matérias-primas) são muito mais altas a médio prazo que o que tínhamos pensado há apenas seis meses”, disse Singh.

O analista afirmou que o principal risco seria que o maior nível de inflação se incorporasse na negociação dos contratos.

Embora seguir sua recomendação signifique uma perda de poder aquisitivo para os trabalhadores, Singh se preocupa especialmente com que o maior ritmo de inflação “se solidifique”.

Os problemas com a alta de preços são generalizados na América Latina.

Por exemplo, no Peru a inflação atual ronda os 5% ao ano, frente à sua meta de 2%; no Chile, supera os 8%, comparada com o limiar decretado pelo Governo de entre 2% e 4%; e no Uruguai se aproxima dos 10%, frente ao objetivo de entre 4% e 6%.

O campeão da inflação é, no entanto, a Venezuela, onde alcançará 25,7% este ano, segundo cálculos do FMI.

Outra das preocupações destacadas pelo funcionário do Fundo sobre a América Latina foi o crescimento do crédito, que é “muito rápido”, em sua opinião.

Isso se deve, em parte, a que até agora havia um nível muito baixo de empréstimos na região. Mesmo assim, Singh alertou que a história mostra que quando há um “boom” do crédito, sua qualidade se deteriora e os bancos terminam emprestando a empresas e indivíduos com menor capacidade de pagamento.

“Vimos isso nos Estados Unidos”, advertiu.

Singh também alertou, como é habitual no fundo, sobre o nível de gasto público.

O analista afirmou que as contas fiscais dependem que os altos preços das matérias-primas que a América Latina exporta se mantenham, algo que pode mudar. A despesa “tem que ser mais conservadora”, ressaltou.



 

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