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Fitch rebaixa nota da dívida da França por incerteza orçamentária

Este é um revés para o governo do presidente Emmanuel Macron no momento em que tenta elaborar os orçamentos de 2026 em plena crise política

Redação Jornal de Brasília

12/09/2025 18h59

Foto: AFP

A agência Fitch rebaixou nesta sexta-feira (12) em um nível a nota da dívida soberana da França, de “AA-” para “A+” com perspectiva estável, devido à persistente instabilidade política e às incertezas orçamentárias que dificultam um saneamento de suas deterioradas finanças públicas.

Este é um revés para o governo do presidente Emmanuel Macron no momento em que tenta elaborar os orçamentos de 2026 em plena crise política.

Na segunda-feira, o primeiro-ministro François Bayrou caiu no Parlamento ao buscar apoio para seu plano orçamentário para 2026, que previa reduzir o déficit (5,8% do PIB em 2024) e a dívida pública (cerca de 114%).

“O fracasso do governo em uma moção de confiança ilustra a crescente fragmentação e polarização da política interna”, afirmou a agência de classificação de risco em um comunicado.

Macron nomeou rapidamente seu homem de confiança, Sébastien Lecornu, como novo primeiro-ministro, com a missão de conseguir um orçamento para o próximo ano e estabilidade negociando com as forças políticas.

Esse novo episódio da profunda crise política que a França vive desde 2024, quando uma antecipação eleitoral decidida por Macron deixou a Assembleia Nacional (Câmara baixa) sem maiorias, ocorreu dias antes de a Fitch publicar seu relatório sobre a dívida da França.

“Desde as eleições legislativas antecipadas de meados de 2024, a França teve três governos diferentes”, afirmou a agência.

A agência destacou que “essa instabilidade enfraquece a capacidade do sistema político de realizar uma consolidação fiscal importante e torna pouco provável que o déficit fiscal seja reduzido a 3% do PIB até 2029, como havia sido estabelecido como meta pelo governo cessante”.

A Fitch cumpre assim sua advertência de março, quando manteve a nota “AA-” com perspectiva negativa, mas advertiu que rebaixaria a classificação se a segunda economia da União Europeia não aplicasse um “plano crível” de médio prazo.

© Agence France-Presse

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