O líder cubano Fidel Castro afirma em seu mais novo artigo da série “reflexões”, page publicado hoje na imprensa oficial da ilha, que não tem “capacidade física necessária” para falar em público e que faz o que está a seu alcance: escrever.
“Não tenho capacidade física necessária para falar diretamente aos moradores do município onde lançaram minha candidatura para as eleições do próximo domingo. Faço o que posso: escrevo”, afirma Fidel no artigo intitulado “Presente de Reis”, publicado hoje na imprensa local junto com novas fotografias suas.
Nas imagens, Fidel, que se recupera de uma grave doença que o levou a delegar o cargo de presidente de Cuba a seu irmão Raúl em julho de 2006, aparece junto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem se reuniu nesta terça-feira por duas horas e meia.
Lula assegurou, após o encontro, que Fidel tem uma “lucidez incrível”, uma “saúde impecável” e está pronto para assumir seu papel político em Cuba. “Penso que Fidel está pronto para assumir o papel político que ele tem em Cuba e assumir o papel político que tem na história do mundo globalizado e da humanidade”, afirmouou o presidente brasileiro minutos antes de deixar a ilha, depois de ter feito uma visita oficial de 24 horas à Cuba.
Fidel se refere em seu artigo de hoje à candidatura oficializada em 2 de dezembro último, e pelo município de Santiago de Cuba, a segunda cidade mais importante do país, nas eleições gerais do próximo domingo.
O líder concorrerá como candidato a renovar sua cadeira como deputado. Também aconselha “os revolucionários mais jovens” a terem “máxima exigência” e disciplina ferrenha, sem ambição de poder ou auto-suficiência.
Reitera que “o capitalismo não serve nem como instrumento” e recomenda combate aos “que inventam empresas do Estado sob qualquer pretexto e administram depois lucros fáceis como se tivessem sido capitalistas por toda a vida, semeando egoísmo e privilégios”.
O papel que caberá a Fidel no futuro é ainda incerto, pois só será revelado quando a nova Assembléia Nacional do Poder Popular (Parlamento) for constituída no final de fevereiro – em data ainda não confirmada – e designar os novos Conselhos de Estado e de Ministros, dos quais o líder cubano é presidente.