As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) planejaram ataques a várias autoridades, entre elas o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e tinham preparado um carro-bomba para detonar em Bogotá, informou hoje o ministro da Defesa, Rodrigo Rivera.
As autoridades souberam dos planos da guerrilha através de dados nos computadores do chefe militar das Farc, “Mono Jojoy”, morto em setembro pelo Exército colombiano.
As informações encontradas no computador do ex-guerrilheiro permitiram ao Governo descobrir um automóvel carregado com explosivos em um bairro do sul da capital colombiana e capturar a guerrilheira Luz Delia Hincapié, conhecida como “La Mona”.
“Desvelamos um plano terrorista das Farc para atentar com um carro bomba na cidade de Bogotá, que estava praticamente pronto”, destacou Rivera em entrevista coletiva.
O ministro ressaltou que o plano terrorista tinha como alvos autoridades como o presidente Santos, o ex-governante Álvaro Uribe, chefes da Polícia e do Exército.
“A lista dos alvos aos quais este atentado podia se dirigir e de outros atentados em Bogotá está em nosso poder”, disse.
Além de frustrar os planos de ataque, o Governo reforçou as medidas de segurança em torno das pessoas que estavam na mira das Farc com o objetivo de impedir “que estes terroristas possam fazer sua própria vontade”.
O veículo carregado com 10 quilos de explosivos foi achado no bairro Gustavo Restrepo de Bogotá e, se tivesse sido detonado, teria ocasionado “danos maiores” que o carro-bomba que explodiu em 12 de agosto às portas do edifício da “Caracol Radio”, também atribuído às Farc.
Sobre a guerrilheira capturada, ele declarou que ela era integrante das milícias urbanas Frente Antonio Nariño e teve participação na fuga de 98 presos da prisão de La Picota, em Bogotá, em junho de 2001.
A Procuradoria Geral informou que a suposta guerrilheira tinha desertado dessa organização insurgente.
“La Mona” foi presa sob a acusação de “terrorismo, rebelião, tráfico, fabricação e porte de armas e munição e explosivos”, acrescentou.
Em declarações posteriores à Efe, Rivera ressaltou que as autoridades não têm elementos para vincular o carro bomba achado ao grupo terrorista ETA, ao explicar que se trata de um plano das “células terroristas das Farc em Bogotá”.
Alguns meios de comunicação locais destacaram que o Governo estavam investigando se o grupo terrorista basco tinha ligações com as Farc.
Essas dúvidas se devem ao fato de os mecanismos de detonação da bomba encontrada serem muito mais sofisticados que os usados nos últimos carros bomba achados em Bogotá desde 2001.
“A apreensão do carro bomba com um material explosivo de alto poder pode dar a impressão da audácia do grupo e dos danos que ele pretendia consumar, mas não temos elementos para acusar ninguém do ETA”, ressaltou Rivera.
Os supostos membros do ETA Javier Atristain e Juan Carlos Besance, detidos em 29 de setembro, declararam perante a Guarda Civil espanhola que em 2008 participaram de um curso de formação dado na Venezuela, do qual supostamente também participaram guerrilheiros das Farc.