As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) defenderam uma saída “civilizada” ao conflito armado colombiano, baseada em uma “solução política”, segundo um comunicado divulgado nesta segunda-feira por ocasião dos 47 de fundação da guerrilha.
“Jamais renunciamos à solução política do conflito social e armado”, diz o comunicado assinado pelo Estado-Maior Central das Farc e datado de 27 de maio de 2011.
Para a guerrilha, “é a mobilização de todos os setores da sociedade colombiana que imporá a saída política ao conflito, iniciando com o acordo humanitário que liberte todos os presos políticos que se encontram nas prisões do regime e dos prisioneiros de guerra em poder da insurgência”.
A guerrilha insiste assim, 47 anos após sua fundação, em sua proposta de troca humanitária, que consiste em trocar 17 militares e policiais que mantém sequestrados, alguns há mais de 12 anos, por 50 rebeldes presos na Colômbia e nos Estados Unidos.
“Neste quase meio século de confronto armado, pusemos todas as nossas energias na solução política do conflito, mas os setores do poder dispararam seus arsenais para que isso não fosse possível”, ressaltou o comunicado das Farc.
A guerrilha acrescentou: “Compatriotas, a paz é um direito que temos que tornar realidade nesta pátria inundada de humilhações. A barbárie não pode continuar sendo parte de nosso destino durante mais 47 anos”.
O comunicado foi divulgado pela Agência de Notícias Nova Colômbia (Anncol), ligada às Farc, e que voltou a funcionar na internet após um tempo de suspensão por causa da detenção em abril passado de seu diretor, Joaquín Pérez Becerra.
Becerra, suposto rebelde exilado na Suécia, foi detido na Venezuela e deportado à Colômbia.
O último pronunciamento das Farc remonta a fevereiro passado, quando a guerrilha pediu ao presidente colombiano, Juan Manuel Santos, que aproveitasse a oportunidade da libertação incondicional de cinco reféns “para iniciar um diálogo que permita uma solução política” ao conflito armado.
A resposta do Governo foi exigir ao grupo insurgente “menos palavras e mais ações de paz”, como a libertação de todos os reféns e a cessação dos atos de terrorismo para poder iniciar um diálogo.