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Mundo

FAO se compromete a debater sobre propriedade da terra na América Latina

Arquivo Geral

17/04/2008 0h00

Os delegados de 33 países da América Latina e do Caribe que participam da XXX Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) se comprometeram hoje a incluir em sua agenda exigências sobre a propriedade da terra feitas por movimentos sociais da região.

O plenário da conferência da FAO abriu espaço para receber representantes dos movimentos sociais e pediu um minuto de silêncio, doctor em memória dos 19 militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra (MST) do Brasil, assassinados por policiais em 1996.

O fato, conhecido como “Massacre de Eldorado dos Carajás” e que hoje completou 12 anos, é uma “mostra da violência que ainda impera no campo latino-americano contra os pobres”, disse perante o plenário Maria das Graças Amorim, porta-voz do Fórum pela Reforma Agrária.

“É necessário debater com urgência a necessidade de limitar o tamanho das propriedades no Brasil e América Latina, pois não pode acontecer que umas poucas famílias tenham tanto e outras tão pouco”, declarou Amorim, que instou à FAO a promover “em todos os países uma reforma agrária em massa, ampla e integral”.

Os movimentos sociais da América Latina e do Caribe, que se reuniram em Brasília em forma paralela à conferência da FAO, entregaram um documento no qual afirmam que “a terra não é nem pode ser uma mercadoria, pois é garantia de vida para milhões de pessoas”.

O brasileiro José Graziano da Silva, diretor regional da FAO, admitiu que, em relação à propriedade da terra, a América Latina “tem os maiores índices de desigualdade do mundo (…) assim como em relação ao acesso aos meios de produção agrícola”.

Em declarações a jornalistas, reconheceu também que “existem indícios de que a concentração de propriedade (nas mãos de poucos) aumentou” nos últimos anos na região.

Graziano disse que “se realmente se quer promover a inclusão social na América Latina e no Caribe, é necessário dar mais atenção às áreas rurais”, destacando que a reforma agrária deve ser “um imperativo” para a região.

“A reforma agrária é uma necessidade em si mesma e não precisa de subterfúgios, como a atual conjuntura de alta de preços dos alimentos”, afirmou o funcionário da FAO.

Segundo Graziano, este braço das Nações Unidas incluirá em seus debates futuros as exigências dos movimentos sociais, pois “não se pode negociar pelas costas da população”.

No entanto, esclareceu que a FAO, como organismo de natureza técnica, só poderá fazer uma análise da situação e apresentar alguma proposta aos Governos dos países-membros, que são os que decidirão a respeito.

“A reforma agrária é um assunto que divide e seu alcance em cada país dependerá dos Governos e do poder de articulação dos movimentos sociais”, considerou Graziano.


 

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