Esta é a principal conclusão do relatório anual de Perspectivas Agrícolas publicado hoje pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO). As duas organizações esperam que, até 2017, o aumento da produtividade permita acompanhar o da demanda, o que conterá os preços, apesar de reconhecerem que há várias incertezas que podem pesar. A OCDE e a FAO admitem que os preços elevados, apesar de beneficiarem muitos agricultores com acesso aos mercados internacionais, agravarão a situação das populações pobres que vivem nas áreas urbanas dos países em desenvolvimento. “Em muitos países pobres, a alimentação representa mais de 50% do orçamento, e o alto nível de preços levará mais pessoas à desnutrição”, alertam. Diante das projeções de “maior vulnerabilidade” alimentícia nos países menos desenvolvidos, apostam que eles desenvolvam “suas capacidades de abastecimento interior” com sua agricultura. “Um aumento da ajuda humanitária é imposto para reduzir as incidências negativas dos altos níveis de preços sobre os mais desfavorecidos, o que é preciso ser feito sem medidas que tenham um impacto de distorção dos mercados”, destacam. As duas organizações calculam que, em relação ao período compreendido entre 1998 e 2007, na década seguinte os óleos vegetais terão um preço médio 80% superior, e os grãos oleaginosos e a manteiga serão 60% mais caros. Por trás do aumento calcula-se que o consumo será de 50% durante esses dez anos para os cultivos oleaginosos, principalmente para uso alimentício, mas também para a produção de biocombustíveis, que disparou e seguirá o mesmo caminho. Se a quantidade de etanol triplicou entre 2000 e 2007, ela duplicará até 2017 para alcançar 125 bilhões de litros, enquanto a de biodiesel progredirá a um ritmo ainda superior, após ter sido multiplicada por 11 durante o mesmo período até cerca de 11 bilhões de litros. As duas organizações afirmam que os biocombustíveis explicam “em grande parte o aumento dos preços dos produtos agrícolas” e que a futura evolução destas produções dependerá das altas no preço do barril de petróleo e nos subsídios públicos. Trigo, milho e leite em pó terão reajuste de entre 40 e 60% no período da previsão. No caso do milho, o aumento está relacionado à explosão dos biocombustíveis, principalmente nos Estados Unidos, onde cerca de 40% de sua produção poderá ser dedicada à fabricação de etanol em 2017. Os autores do relatório estimam que o baixo volume de reservas e os altos preços levarão os agricultores a dedicar mais terras aos cereais, principalmente devido à demanda crescente de países como Nigéria, Egito e Arábia Saudita e, sobretudo, do Sudeste Asiático. Estados Unidos e Austrália estarão mais uma vez na liderança entre os exportadores, mas grandes potências emergentes do setor agrícola, como Ucrânia e Argentina, terão cada vez mais peso. Para o leite, a evolução será marcada pela obtenção de derivados com maior valor agregado e uma demanda que estimulará a oferta, principalmente por parte dos países em desenvolvimento, especialmente Índia e China, que, no entanto, não serão auto-suficientes. No caso da carne, está prevista uma alta do consumo de 2% ao ano, com grandes diferenças entre os Estados da OCDE (+0,5%) e os países em desenvolvimento (+2,5%), o que beneficiará os grandes exportadores: Brasil, Estados Unidos, Canadá, Argentina e Austrália. A OCDE e a FAO prevêem um aumento na produção mundial de arroz da ordem de 10% até 2017, que deverá ser originada por um aumento dos rendimentos, que compensará a diminuição da área cultivada. Em termos de consumo, o mais relevante é que, enquanto o índice deste por pessoa na Ásia diminuirá em favor de outros alimentos, devido a uma melhora no padrão de vida, na África aumentará de 22 para 24 quilos por habitante em dez anos.
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