O ex-ministro da Educação francês Luc Ferry foi interrogado nesta sexta-feira pela divisão da infância da Polícia francesa depois de ter acusado na televisão outro ex-ministro, sem citar seu nome, de ter participado de orgias com menores no Marrocos, informou a imprensa local.
Ferry, titular de Educação entre 2002 e 2004, gerou uma grande polêmica na França após ter afirmado na segunda-feira na emissora de televisão “Canal+” que um membro de um governo anterior ao seu tinha sido “pego” em uma “festa” com menores em Marrakech.
Sem citar nenhum nome por medo de represálias judiciais e sem fornecer mais detalhes, Ferry desencadeou um grande escândalo em meio à polêmica que o país vive por outros escândalos sexuais na política.
Em particular, a detenção do ex-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn em Nova York por uma suposta tentativa de estupro, e a renúncia do secretário de Estado de Função Pública George Tron após ter sido acusado por ex-colaboradoras de abuso sexual.
Nesse ambiente, as declarações de Ferry originaram a abertura de uma investigação judicial preliminar e o fizeram ter que depor durante uma hora diante da divisão de infância na qualidade de testemunha, o que não o obriga a revelar suas fontes.
A classe política atacou o ex-ministro da Educação e pediu que diga à Justiça o que sabe.
Em suas declarações ao “Canal+”, Ferry afirmou que “todo mundo” sabia de que ex-ministro se tratava e disse ter obtido essas informações “das mais altas autoridades do Estado”, como o primeiro-ministro da época, Jean-Pierre Raffarin.
Raffarin apressou-se em negar a informação e disse em seu blog não estar por dentro dos fatos denunciados.
Ferry se referia em sua entrevista na televisão a um artigo publicado no sábado passado pelo “Le Figaro” que, citando “fontes marroquinas”, relatava que um ex-ministro francês tinha sido preso quando participava de “uma festa especial” na qual se “divertia” com “jovens rapazes”.
Segundo a publicação, o ex-ministro foi liberado após a intervenção da Embaixada francesa em Rabat e devolvido ao seu país.
Neste sentido, duas ONGs de proteção de menores apresentaram uma denúncia à Justiça francesa e marroquina para obrigar Ferry a revelar o nome do ex-ministro.