O ex-ministro da Indústria da Venezuela, Alex Saab, um aliado próximo do ex-presidente Nicolás Maduro, declarou-se inocente das acusações de lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros nesta sexta-feira (24), perante um tribunal em Miami.
Saab não compareceu diante do juiz e delegou sua declaração aos advogados, explicou um de seus defensores à AFP.
Considerado o testa de ferro de Maduro, Saab é acusado de liderar uma rede que desviou recursos do programa de ajuda alimentar CLAP, na Venezuela.
“Alex Saab supostamente utilizou bancos americanos para lavar centenas de milhões de dólares roubados de um programa de alimentação venezuelano destinado aos mais pobres, bem como os lucros provenientes da venda ilegal de petróleo venezuelano”, afirmou, em maio, o procurador-geral adjunto dos Estados Unidos, A. Tysen Duva.
Saab foi expulso da Venezuela para responder às acusações contra ele nos Estados Unidos.
Nascido na Colômbia, o ex-empresário foi uma figura muito ativa na política venezuelana durante os últimos anos da presidência de Hugo Chávez (1999–2013).
Segundo as acusações, foi graças às suas atividades como testa de ferro e lavador de dinheiro que ele recebeu a cidadania venezuelana e um passaporte diplomático.
Após ser alvo, pela primeira vez, de sanções dos Estados Unidos em 2019, Saab foi preso em Cabo Verde em 2020 e extraditado para os Estados Unidos no ano seguinte. No entanto, foi libertado em 2023 pelo governo de Joe Biden como parte de uma troca de prisioneiros negociada com a Venezuela.
Maduro nomeou Saab ministro da Indústria em 2024.
Pouco depois de forças americanas capturarem Maduro em Caracas, em janeiro, a presidente interina Delcy Rodríguez destituiu Saab de todos os seus cargos.
Nesta semana, um tribunal federal em Nova York decidiu que Maduro e sua esposa, Cilia Flores, serão julgados nos Estados Unidos em junho de 2027.
O ex-presidente, de 63 anos, e sua esposa estão detidos em uma prisão no bairro do Brooklyn. Ambos se declararam inocentes das acusações de narcotráfico, posse de armas de fogo e conspiração relacionada a armas de fogo.
AFP