A União Européia (UE) e a África iniciaram hoje em Lisboa uma nova relação, store baseada na cooperação e não na tradicional concessão de ajudas, discount mas que esbarrou na sempre polêmica questão comercial.
“Esta cúpula está sendo um êxito em todos os aspectos, adiposity exceto em um: o comercial”, afirmou o presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, que criticou o unilateralismo europeu nesta questão.
Oitenta países africanos e da UE realizaram hoje o primeiro dia de uma cúpula para estabelecer novas formas de cooperação em assuntos como meio ambiente, desenvolvimento energético, comércio, cooperação regional, fluxos migratórios, paz e segurança.
Mas, no aspecto comercial, houve grandes divergências, centrados fundamentalmente nas discussões que a UE mantém com alguns países africanos para fechar, antes de janeiro de 2008, acordos regionais de livre-comércio.
Este prazo é uma imposição da Organização Mundial do Comércio (OMC), que rejeitou os acordos com concessões unilaterais e estabeleceu 31 de dezembro como prazo para substituí-los por outros de livre-comércio.
O presidente senegalês afirmou que “a África não concorda com este tipo de associação, que são uma aproximação inadequada, porque não podem pôr um prazo de 10 ou 15 anos para chegar ao livre-comércio”.
“Nenhum país africano pode se dar ao luxo de desmantelar suas alfândegas e deixar de receber uma grande receita”, afirmou Wade, que mostrou sua esperança de que a UE não tente impor esta situação.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou que nem todos os países africanos estão dispostos a aceitar o liberalismo e que, embora seja partidário da globalização, esta não deve ser feita a qualquer preço.
O presidente de Gana e da União Africana, John Kufuor, disse que “a cooperação deve reconhecer os direitos da África a se integrar na economia internacional, com as capacitações baseadas em sua própria soberania”. Os ministros de Assuntos Exteriores da UE devem decidir o que fazer com os países africanos que não assinarão este tipo de acordo.
Na questão da imigração, outro dos grandes temas abordados na cúpula, o presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, propôs um pacto euro-africano que garanta a escolarização infantil, gere emprego para os jovens e melhore as infra-estruturas na África.
O presidente líbio, Muammar Kadafi, que pediu aos líderes europeus que escolham entre “devolver os recursos” depredados à África durante o colonialismo ou “convidar” os africanos a viver em seus países.
Kadafi se referiu à África como uma vítima das “conquistas e do colonialismo”, um fenômeno que descreveu como “intrinsecamente negativo e que tem como resposta as dificuldades que a Europa sofre agora com a imigração”.
Ao contrário de Kadafi, muitos líderes africanos falaram do colonialismo como “algo a lembrar, mais do que virar a página”. Na cooperação militar, a ONU pediu a formação de uma força de pacificação em Darfur, e representantes europeus que se reuniram com o presidente sudanês, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, insistiram na necessidade de cumprir os compromissos sobre a pacificação da região e aproveitar a cúpula de Lisboa para impulsioná-la.
A ministra de Assuntos Exteriores austríaca, Ursula Plassnik, anunciou também a criação de um centro regional de produção de energias renováveis no oeste da África com o objetivo de dinamizar o desenvolvimento econômico da região.
Plassnik explicou que o projeto também servirá para reduzir em parte o déficit energético registrado nos países da região.
O presidente rotativo do Conselho de Ministros da União Européia, o português Luis Amado, disse que a cúpula “rompeu o gelo” nas difíceis relações entre os dois continentes. A primeira cúpula entre a UE e a África foi realizada em 2000, e uma segunda edição que aconteceria em 2003 foi suspensa por problemas políticos relacionados com a presença do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe.
Este ano, a presença de Mugabe e a ausência do primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, aumentou o debate. A chanceler alemã, Angela Merkel, criticou a participação do presidente do Zimbábue e disse que a situação no país está deteriorando a nova imagem da África.
O presidente senegalês respondeu, dizendo que a “Europa adotou uma postura do lado britânico, em vez de desenvolver um trabalho de mediação”.