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Mundo

EUA reativa guerra comercial com nova rodada de tarifas

João Victor Rodrigues

24/07/2026 7h17

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Foto por SAUL LOEB / AFP

Os Estados Unidos passarão a aplicar, a partir desta sexta-feira (24), tarifas de no mínimo 10% a cerca de 60 países. Assim, o presidente Donald Trump reativa sua guerra comercial, que gerou controvérsia com seus principais parceiros e impacto na inflação.

As tarifas são aplicadas em resposta a investigações sobre o uso de trabalho forçado, explicou o escritório do Representante Comercial (USTR, na sigla em inglês) em um comunicado.

Poderão chegar a 12,5% em alguns casos e impactar grandes economias, como China, Índia e a União Europeia.

Na faixa de 10%, também são mencionados países latino-americanos como Argentina, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México e Trindade e Tobago.

“Essa medida se aplica aos 60 principais parceiros comerciais dos Estados Unidos, que representam 99,4% das importações americanas”, afirma o texto.

Desde as 00h01 (01h01 em Brasília), a nova onda de tarifas entrou em vigor. No entanto, os produtos que já estão em processo de envio para os Estados Unidos não serão afetados se chegarem ao destino antes de 28 de julho, às 00h01.

A agenda comercial de Trump sofreu um amplo revés em fevereiro, quando a Suprema Corte decidiu que suas tarifas indiscriminadas eram inconstitucionais, já que apenas o Congresso pode aprovar medidas desse tipo.

Trump se viu obrigado a mudar de estratégia e anunciou que voltaria com outras taxas alfandegárias, desta vez amparadas em investigações prévias do USTR.

Esse tipo de tarifa é mais difícil de contestar pelos países afetados, ou pelos importadores, como acontece com aquelas aplicadas por motivos ambientais – produtos que chegam aos Estados Unidos de áreas desmatadas, por exemplo – ou sanitários.

Ao mesmo tempo, o USTR reconhece em seu comunicado que “o presidente Trump está utilizando tanto as tarifas quanto os acordos comerciais para apoiar os trabalhadores americanos e corrigir os desequilíbrios comerciais”.

Exceções


Segundo o anúncio desta quinta-feira, as economias que implementaram uma proibição à importação baseada em trabalho forçado, ou que se comprometeram a fazê-lo, terão a tarifa de 10%. Entre elas estão Canadá, União Europeia, Índia e Reino Unido. China, Japão, Coreia do Sul e dezenas de outros países serão sobretaxados em 12,5%.

No entanto, alguns bens que já enfrentavam tarifas específicas, como o aço e o alumínio, não serão impactados.

Alguns produtos de energia e fertilizantes também estarão isentos, juntamente com bens cobertos pelo acordo de livre comércio entre Estados Unidos, Canadá e México, disse um funcionário americano a jornalistas.

O governo do México afirmou que mais de 80% das exportações do país para os Estados Unidos ficam isentas da nova tarifa.

O Brasil é um dos países que sofreu, esta semana, uma nova onda de tarifas sobre alguns produtos, em razão desse tipo de investigação lançada por Washington.

O governo do presidente Lula anunciou em um comunicado que iniciará “imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade” comercial que o Congresso aprovou no ano passado.

Trump advertiu, ao chegar ao poder, que sua política comercial seria a de colocar os interesses de seu país em primeiro lugar, já que considera que os parceiros comerciais tinham muito mais acesso ao mercado americano do que o inverso.

Depois que a Suprema Corte anulou suas tarifas indiscriminadas, o republicano as substituiu rapidamente por um encargo temporário de 10% sobre as importações. Mas esse encargo só poderia durar 150 dias e expirava nesta sexta‑feira.

– Injustificados –
O Ministério do Comércio da Austrália disse que as novas tarifas são “injustificadas” e “deveriam ser eliminadas”.

“Nós nos opomos a qualquer tipo de medida unilateral em matéria de tarifas alfandegárias”, declarou Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.

O porta-voz da Comissão Europeia, Olof Gill, comemorou que “este resultado esteja em conformidade com os compromissos dos Estados Unidos sobre direitos aduaneiros”.

Há quase um ano, a União Europeia e os Estados Unidos acertaram na Escócia um acordo para limitar as tarifas a um teto de 15%, patamar que é respeitado nesta nova ofensiva tarifária de Trump.

Trump anunciou já na terça‑feira a imposição de novas tarifas de 100% sobre medicamentos genéricos importados, que entrarão em vigor a partir de agosto de 2028, e cuja alíquota passará posteriormente a 200% em 2029.

O objetivo, neste caso, é obrigar multinacionais farmacêuticas a abrir plantas de produção nos Estados Unidos, em nome da segurança nacional, afirmou o presidente.

AFP

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