O subsecretário de Estado adjunto americano para o Hemisfério Ocidental, Craig Kelly, reafirmou hoje o apoio de seu país às eleições do próximo dia 29 em Honduras como solução para a crise política do país e pediu para que não haja chamados à violência durante o processo eleitoral.
“Uma parte importante da solução para a paz no futuro são as eleições hondurenhas”, disse Kelly em uma declaração que leu para a imprensa ao término de uma visita a Honduras iniciada ontem.
Kelly viajou com o objetivo de impulsionar a execução do acordo que busca a solução para a crise originada com o golpe de Estado contra Manuel Zelaya, ocorrido em 28 de junho.
“Durante a preparação para as eleições, é muito importante que as autoridades respeitem os direitos humanos; ao mesmo tempo, é importante que todos os atores evitem provocações, chamados à violência, porque o que o país precisa é de tranquilidade para avançar rumo a essa data tão importante”, acrescentou.
“Ninguém tem o direito de tirar do povo hondurenho o direito de votar, escolher seus líderes”, ressaltou Kelly.
“Seria muito importante, nos dias antes das eleições, que os dois lados, e todos, façam gestos para avançar com a reconciliação no país”, pediu o secretário adjunto, que se reuniu ontem separadamente com Zelaya e com o presidente de fato, Roberto Micheletti, para analisar o cumprimento do acordo.
Kelly explicou que sua visita, a terceira desde o final de outubro, teve a finalidade de contribuir para “organizar o Acordo de Tegucigalpa-San José”, assinado por representantes de Micheletti e de Zelaya no último dia 30.
O pacto estabelece, entre outros pontos, que o Congresso hondurenho deve decidir sobre a restituição de Zelaya no poder, o que deve acontecer no próximo dia 2, e a formação de um Governo de unidade e reconciliação, que não foi instalado apesar da determinação do dia 5 como data limite.
O presidente deposto considerou o acordo como rompido devido a divergências com Micheletti sobre qual dos dois deveria liderar esse Executivo e disse que não voltará a dialogar com o regime de fato.
Kelly, que fez parte da missão americana que impulsionou esse tratado, enfatizou que “uma parte importante para os Estados Unidos é o princípio da restauração da ordem constitucional”, além das eleições.
“Os EUA vão continuar trabalhando com nossos amigos hondurenhos para conseguir objetivos importantes sob o Acordo de Tegucigalpa-San José”, afirmou.
O secretário adjunto não respondeu perguntas da imprensa após ler a declaração.