Enquanto os números oficiais finais não saem, o setor calcula que, durante o ano recém-concluído, foram vendidos quase 3 milhões de veículos a menos na comparação com 2008 (13,24 milhões de unidades).
A Ford, a segundo maior fabricante de automóveis dos EUA e a única das três grandes montadoras de Detroit que não precisou de dinheiro do Governo para superar a crise financeira internacional, foi a que teve melhor desempenho.
Com 1,68 milhão de veículos vendidos no ano passado, 15,4% a menos que em 2008, a empresa conseguiu terminar 2009 com seu primeiro crescimento de mercado desde 1995.
As maiores concorrentes dela, no entanto, tiveram um ano bem pior. A Ford não só superou a General Motors (GM) e a Chrysler, as duas grandes montadoras americanas que receberam socorro do Governo, como bateu as japonesas Honda e Toyota.
Em 2009, ano que a Toyota classificou como uma “montanha-russa”, as vendas da maior fabricante mundial de automóveis caíram 20% nos EUA. Já as da Chrysler – a mais prejudicada de todas -, da GM e da Honda despencaram 36%, 30% e 19,5%, respectivamente.
Apesar dos números negativos, todas as montadoras disseram que estão otimistas em relação a 2010, sobretudo depois da recuperação nas vendas registrada no último trimestre de 2009 e da melhora do panorama econômico nos EUA.
A GM, que em 2009 teve três executivos-chefes, declarou concordata, recebeu US$ 60 bilhões de ajuda pública e acabou com quatro de oito marcas, disse que o ano passado foi “decisivo”.
“Acreditamos que 2010 será um ano no qual a economia continuará se recuperando moderadamente, as vendas do setor começarão a melhorar e nossos excelentes produtos ganharão mais impulso de vendas”, disse a vice-presidente de Vendas da GM nos EUA, Susan Docherty.
Durante uma teleconferência, Docherty afirmou ainda que seu otimismo está baseado no fato de que a GM terminou o ano vendendo mais veículos do que quando saiu da quebra, em julho.
“Os americanos deram a nossos carros e caminhonetes um forte voto de confiança. E isso é algo que nos levamos muito a sério”, disse a executiva.
A Toyota também afirmou que espera de 2010 um ano melhor que o que passou. Don Esmond, vice-presidente de Operações da montadora, afirmou que, “saindo da montanha-russa que foi 2009, o setor ganhou um impulso positivo diante de um cenário de recuperação gradual”.
“Apesar do mercado difícil, a Toyota teve um sólido rendimento, alcançando seu objetivo de aumentar sua fração de mercado. Esperamos um brilhante 2010”, acrescentou.
Até a Chrysler, que desde o começo do segundo semestre opera sob a batuta do executivo-chefe da Fiat, Sergio Marchionne, afirmou que a melhora das condições nos últimos meses de 2009 faz a fabricante ficar otimista em relação a este ano.
“À medida que o novo ano avança, o Grupo Chrysler segue ganhando impulso com alguns dos melhores produtos do mercado. Estamos entusiasmados com os novos produtos que chegarão este ano”, disse em nota o principal executivo de Vendas do Grupo Chrysler, Fred Díaz.
Se a Ford foi, entre as grandes marcas, a que melhor desempenho teve em 2009, o grupo sul-coreano Kia-Hyundai foi o vencedor absoluto.
Só a Hyundai terminou o ano com um aumento de 8% nas vendas, que totalizaram 435.064 unidades vendidas. A Kia, por sua vez, vendeu 300.063 unidades, 9,8% a mais que em 2008.
Não é de se estranhar que o vice-presidente de Vendas da Hyundai, Dave Zuchowski, tenha dito que têm “razões para ser otimista” em relação a 2010.