Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira que manterão conversas de alto nível com Coreia do Norte durante dois dias em Nova York, para medir se o Governo comunista está pronto para reassumir as negociações sobre a desnuclearização.
O representante especial dos EUA para Coreia do Norte, Stephen Bosworth, liderará a comitiva americana, que se reunirá com o primeiro vice-ministro de Relações Exteriores norte-coreano Kim Kye-gwan e sua delegação entre 28 e 29 de julho na missão dos EUA na ONU em Nova York, segundo um porta-voz do Departamento de Estado.
O anúncio foi feito depois que a secretária de Estado, Hillary Clinton, anunciasse durante o fim de semana que tinha convidado Kim nesta semana para discutir a possibilidade de reassumir o diálogo sobre o programa nuclear.
“Esta será uma reunião exploratória para determinar se a Coreia do Norte está preparada para cumprir com seus compromissos em virtude da declaração conjunta de 2005 durante as conversas de seis lados, e suas obrigações internacionais, assim como tomar medidas concretas e definitivas para a desnuclearização”, disse o porta-voz Mark Toner.
O Departamento de Estado qualificou a reunião como “exploratória” para acompanhar a reunião que foi realizada à margem da sessão ministerial da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) em Bali entre Coreia do Sul e Coreia do Norte, na qual expressaram seu desejo de voltar ao diálogo.
O porta-voz, que não especificou quem mais fará parte da delegação americana, mostrou a disposição dos Estados Unidos ao diálogo, mas ressaltou: “Como dissemos muitas vezes, não estamos dispostos a ter um diálogo só porque sim”.
Neste sentido assinalou que será uma “oportunidade de ver e julgar se Coreia do Norte está disposta a assumir seus compromissos”.
Durante o fim de semana, Hillary lembrou que os Estados Unidos reiteraram seu desejo que se retomem as negociações e mantiveram o diálogo “aberto” com a Coreia do Norte, mas, advertiu: “Não premiaremos a Coreia do Norte só por voltar à mesa”.
Hillary se mostrou firme ao ressaltar: “Não lhes daremos nada novo por ações que já tínhamos acordado ” e disse que os Estados Unidos não quiserem continuar com “negociações prolongadas” que levem outra vez a um ponto no qual já estavam.
A posição americana é que a Coreia do Norte deve cumprir com os compromissos assumidos na declaração conjunta do grupo dos seis em 2005 sobre as resoluções das Nações Unidas (ONU) e o acordo de armistício.
As tensões se agravaram em março do ano passado depois do afundamento da embarcação Cheonan, no qual morreram 46 tripulantes, em um ataque que Seul atribuiu a um torpedo norte-coreano, algo que Pyongyang nega.
Em novembro, militares do regime comunista abriram fogo com obuses sobre a ilha fronteiriça sul-coreana de Yeonpyeong, que causou a morte de dois militares e dois civis, em um fato que a Coreia do Norte justificou como resposta às manobras próximas que o Sul efetuava na zona.
Os dois países se encontram tecnicamente em guerra ainda, já que o conflito que as enfrentou entre 1950 e 1953 concluiu com um armistício, mas não com um tratado de paz.