As agências de inteligência dos Estados Unidos abortaram nesta sexta-feira possíveis ataques contra sinagogas de Chicago, ao identificar dois pacotes com explosivos procedentes do Iêmen em aviões de carga no Reino Unido e Dubai.
Comunicado sobre a operação na quinta-feira à noite, o presidente Barack Obama compareceu nesta sexta diante da imprensa para informar que os dois pacotes continham realmente explosivos e que, portanto, tratava-se de uma ameaça “crível”.
Os dois artefatos, um dos quais simulava um cartucho de impressora, tinham como destino sinagogas de Chicago, precisamente a cidade de Obama e à qual ele tem previsto visitar neste sábado em campanha eleitoral, face ao pleito legislativo de 2 de novembro.
Segundo o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, o presidente não tem intenção de alterar seus planos de viagem para os próximos dias e não acha que os demais americanos tenham motivo para fazê-lo.
O primeiro pacote foi localizado em um avião da empresa UPS Air Cargo no aeroporto de East Midlands, no condado de Leicestershire no Reino Unido. O segundo apareceu depois em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Os serviços de segurança atribuem os artefatos à Al Qaeda na Península Arábica, um grupo terrorista filiado à Al Qaeda.
Precisamente, Iêmen se transformou em um dos focos de luta dos EUA contra o terrorismo, depois que as últimas tentativas de atentado estivessem vinculadas a esta célula da Al Qaeda.
O jovem nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, que tentou voar com destino a Detroit no dia de Natal, reconheceu ter recebido treinamento neste país, enquanto Faizal Shahzad, que tentou explodir um carro-bomba na Times Square, em Nova York, cinco meses depois, teve contatos com um clérigo radical no Iêmen.
A análise do explosivo encontrado nos pacotes revela que é o mesmo que Abdulmutallab tentou utilizar.
Em entrevista coletiva, o assessor para a luta contra o terrorismo da Casa Branca, John Brennan, indicou que as autoridades examinam todos os pacotes em trânsito procedentes do Iêmen, o local de origem dos objetos suspeitos. Como indicou, os pacotes tinham como propósito “utilização em atentados”.
Foi o próprio Brennan que entrou em contato com o presidente iemenita, Ali Abdulah Saleh, quem expressou sua “completa colaboração”.
Até o momento, os serviços secretos não têm nenhum suspeito concreto, acrescentou o alto funcionário, quem indicou que “qualquer indivíduo relacionado com Al Qaeda é passível de investigação.
Fontes da investigação citadas pela imprensa afirmaram que os dois pacotes foram enviados pela mesma pessoa para o mesmo endereço, no Iêmen, sem dar mais detalhes.
Nos primeiros momentos foi levantada a hipótese de que poderia tratar-se de um teste de um atentado de maior alcance, algo que Brennan pareceu considerar pouco provável, embora não tenha descartado totalmente.
“Os pacotes continham explosivos. Normalmente, em um teste deste tipo não se utiliza explosivo. Mas ainda não sabemos se era um teste ou uma tentativa real”, indicou.
Segundo o alto funcionário, “os serviços secretos e de segurança estão fazendo análise do material encontrado e isso dará uma ideia de como pretendiam usar”.
Na coletiva à imprensa, Obama advertiu que a rede terrorista continua planejando executar ataques contra solo americano.
As últimas 24 horas reavivou “a necessidade de permanecermos atentos”, explicou o presidente, quem assegurou que os Estados Unidos manterão vigilância e sua coordenação com os aliados para “garantir a segurança. Não vacilaremos em nossa decisão”.
Por enquanto, o Departamento de Segurança Nacional aumentou as medidas de vigilância nos aeroportos, e nos locais de trânsito de mercadorias.
Durante o dia, as autoridades submeteram a inspeção vários aviões das empresas UPS Air Cargo e FedEx nos aeroportos da Filadélfia, Pensilvânia, Newark, Nova Jersey, que tem rota para Nova York.
As medidas de precaução levaram às autoridades a desviar até Nova York um voo comercial com passageiros e carga procedente do Iêmen.
O voo foi interceptado por caças canadenses que o escoltaram até a fronteira com os Estados Unidos, onde foram substituídos por dois aviões militares americanos