Os Estados Unidos e o Paquistão se comprometeram nesta segunda-feira a estabilizar suas relações para combater o terrorismo após a crise bilateral gerada entre ambos os países devido à localização e morte de Osama bin Laden em solo paquistanês por militares americanos.
O compromisso foi divulgado em comunicado conjunto emitido pela embaixada americana em Islamabad e pela Presidência do Paquistão, fruto da visita do enviado dos EUA, John Kerry, ao país para reuniões com as lideranças políticas e militares.
“É preciso reiniciar nossas relações e aproveitar a oportunidade para canalizá-las” afirmou Kerry no comunicado assinado pela legação diplomática dos EUA e o gabinete do presidente paquistanês, Asif Ali Zardari.
O senador democrata, ao qual a imprensa local denominou como “solucionador de problemas” do presidente Barack Obama, uniu em suas declarações em Islamabad seu habitual tom conciliador a uma postura de cobrança de Washington com relação à luta do Paquistão contra o terrorismo.
Assim, afirmou nesta segunda-feira em entrevista coletiva que “o povo paquistanês decidirá em que tipo de país o Paquistão deve se transformar: um refúgio para extremistas ou na democracia sonhada por seu fundador, Ali Jinnah”.
“Não estou aqui para pedir perdão por um triunfo sem precedentes contra o terrorismo, mas para ver como manejamos uma relação que é crítica para nossos dois países”, acrescentou Kerry, que anunciou como prova de boa vontade de seu país a próxima visita ao Paquistão da secretária de Estado americana, Hillary Clinton.
Sobre o sigilo da operação contra Bin Laden, o ex-candidato à Presidência dos EUA se justificou na necessidade de garantir a segurança dos profissionais que atuaram na intervenção armada, e negou que houvesse alguma desconfiança dos paquistaneses.
Kerry reconheceu que as autoridades de seu país tinham se equivocado deixando Bin Laden escapar das montanhas afegãs em 2001 e que, diante de uma segunda oportunidade, não se podia pôr em risco a operação.
“Muitos oficiais de altíssimo nível em Washington só souberam horas antes e inclusive eu mesmo não me inteirei até depois da operação”, ressaltou.
A respeito das acusações de violação da soberania do Paquistão por parte dos EUA, Kerry disse entender o sentimento dos paquistaneses, mas afirmou que quem realmente viola a soberania nacional são os terroristas como Bin Laden.
A visita de Kerry acontece em meio às suspeitas nas altas esferas políticas de Washington de que o Paquistão não fez todo o possível para capturar o líder da Al Qaeda e que Bin Laden contava com algum tipo de apoio em território paquistanês.
Essa desconfiança teria se transferido, segundo alguns analistas e meios de comunicação, ao controle do arsenal nuclear paquistanês, algo que o senador Kerry se esforçou para desmentir.
Segundo um comunicado do escritório do primeiro-ministro paquistanês, Yousuf Raza Gillani, Kerry afirmou durante uma reunião entre os dois que podia “escrever com sangue” que os EUA não têm interesse em tomar o comando das instalações nucleares do Paquistão.
O senador por Massachussets já teve um papel decisivo há três meses na solução da anterior crise diplomática entre Washington e Islamabad, surgida por causa da prisão e posterior libertação de um agente encoberto da CIA (serviço secreto americano) que baleou dois jovens na cidade de Lahore, no leste do Paquistão.
O Paquistão é há décadas um dos principais aliados dos EUA no sul da Ásia, onde é o maior beneficiado da ajuda americana, um apoio financeiro que não parou de crescer nos últimos anos pela necessidade da cooperação logística paquistanesa às operações militares das tropas americanas no vizinho Afeganistão.