Os focos de violência nas ruas do Haiti, embora sejam casos isolados, são um problema de segurança que dificulta as tarefas humanitárias no Haiti, afirmaram hoje dois funcionários do alto escalão do Governo dos Estados Unidos.
Tanto o tenente-general do Exército americano e subcomandante do Comando Sul, P.K. Keen, como o administrador da Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID), Rajiv Shah, fizeram essa advertência em diversos programas dominicais da televisão americana.
“Há casos isolados, mas nos preocupam e teremos que fazer frente a esse problema. Temos que estabelecer um ambiente seguro para poder ter sucesso com nossa missão de assistência humanitária”, disse Keen, que coordena as atividades das Forças Armadas dos EUA nos trabalhos de resgate e reconstrução, à “CNN”.
Keen destacou que a segurança, a cargo das forças de paz da ONU, é um “componente-chave” para a missão humanitária que os EUA conduzem junto à comunidade internacional no Haiti.
Em Porto Príncipe, o tenente-general destacou à “CNN” e a outras emissoras de televisão que os EUA têm atualmente quase mil soldados no Haiti. Amanhã, o país caribenho já deve contar com a presença de pouco mais de 12 mil soldados americanos.
“Estamos fortalecendo nossa capacidade a cada dia e obtendo o que precisamos para cumprir nossa missão”, acrescentou Keen.
Já Shah, que está em Washington após visitar o Haiti ontem com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, reiterou em declarações à “CNN” que os EUA estão comprometidos com os esforços humanitários em território haitiano a curto e longo prazo.
O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 de Brasília da terça-feira e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe. A Cruz Vermelha do Haiti estima que o número de mortos ficará entre 45 mil e 50 mil.
Na quarta-feira, o primeiro-ministro do país, Jean Max Bellerive, havia falado de “centenas de milhares” de mortos.
O Exército brasileiro confirmou que pelo menos 14 militares do país que participam da Minustah, a missão da ONU no Haiti, morreram em consequência do terremoto.
A médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, ligada à Igreja Católica, e Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti, também morreram no tremor.