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Mundo

EUA dizem que experimento com sífilis na Guatemala foi "erro terrível"

Arquivo Geral

01/03/2011 20h25

A comissão criada pelo presidente Barack Obama depois que os Estados Unidos reconheceram ter inoculado sífilis em cidadãos guatemaltecos nos anos 1940, reconheceu nesta terça-feira que a pesquisa foi um “erro terrível”.

“O que aconteceu foi claramente errado”, disse a presidente da comissão Amy Gutmann em uma audiência pública na qual ressaltou: “foi um erro terrível e queremos saber o que aconteceu”.

A investigação já começou, indicou a diretora adjunta da comissão, Valerie Bonham, que disse que já foram revisadas 477 caixas de material e centenas de documentos, e que esperam ter os resultados no meio do ano.

Os experimentos, que nunca foram publicados, foram divulgados em 2010 depois que a professora da Universidade de Wellesley, Susan Reverby, se deparou com eles por acaso enquanto buscava documentos para outra pesquisa.

O médico americano John Cutler dirigiu estas experiências nas quais estiveram envolvidos os Institutos Nacionais de Saúde americano (NIH, na sigla em inglês) durante a administração de Harry S. Truman (1945-1953).

O objetivo era averiguar se a penicilina poderia ser usada para prevenir doenças sexualmente transmissíveis e, para isso, foi usada em prostitutas, doentes mentais e presidiários que acabaram infectados com sífilis.

Não foi encontrado nenhum relatório sobre as conclusões do experimento, mas há dados pessoais dos pacientes e quadros médicos segundo os quais pelo menos uma pessoa morreu por ataque epilético.

Obama encarregou Amy de fazer com que a comissão averigue o que ocorreu na Guatemala, mas além disso que estude se a lei atual protege os cidadãos que participam de pesquisas científicas tanto nos Estados Unidos como no resto do mundo.

Para isso, Amy anunciou a criação de um painel multidisciplinar com 13 especialistas internacionais que “com diferentes formações e ampla experiência oferecerão uma visão global do assunto”.

Entre eles, participarão o guatemalteco Luis López, assessor de pesquisas científicas do Ministério da Saúde da Guatemala, e o argentino Sergio Litewka, diretor de projetos da Iniciativa Pan-Americana de Bioética.

O grupo se reunirá três vezes nos próximos cinco meses antes de entregar seu relatório, previsivelmente em agosto, sobre a ética nas pesquisas médicas.

Durante a sessão pública desta segunda-feira, os especialistas concordaram na necessidade de que haja uma “harmonização real das normas internacionais” para respeitar os direitos das pessoas no mundo todo, já que muitas pesquisas são realizadas em países em desenvolvimento onde a lei pode não ser tão clara.

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