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EUA cortam US$ 800 milhões em ajuda militar ao Paquistão

Arquivo Geral

10/07/2011 16h43

O governo dos Estados Unidos anunciou neste domingo que suspenderá US$ 800 milhões em ajuda militar ao Paquistão, um novo passo na escalada de tensão com Islamabad desde que o líder terrorista Osama bin Laden foi encontrado no país.

 

O chefe de gabinete da Casa Branca, William Daley, confirmou a notícia antecipada neste domingo pelo jornal “The New York Times” em entrevista ao programa “This Week”, do canal “ABC”.

 

“Obviamente, o Paquistão foi um importante aliado na luta contra o terrorismo, e foi vítima de enormes ataques. Mas atualmente tomou algumas medidas que nos deram motivo para paralisar parte da ajuda que estávamos dando ao seu Exército”, disse Daley.

 

A quantia suspensa corresponde a aproximadamente um terço da ajuda militar americana ao país asiático, que recebe cerca de US$ 2 bilhões ao ano de Washington.

 

A medida responde às pressões no Congresso, especialmente da bancada republicana, para reduzir a colaboração militar com o governo paquistanês com base em algumas de suas ações, como a exigência de retirar 200 militares americanos que trabalhavam como assessores no Paquistão.

 

A situação se agravou em meados de junho, quando Islamabad prendeu vários informantes locais que tinham colaborado com a CIA (serviço secreto americano) para localizar o paradeiro do líder da Al Qaeda, assassinado em maio passado.

 

“É evidente que o sistema político do Paquistão está sentindo ainda muita dor por conta da operação que fizemos para capturar Osama bin Laden, algo que o presidente estava convencido de fazer e da qual não nos arrependemos em absoluto”, ressaltou Daley.

 

O chefe de gabinete acrescentou que os EUA têm com o Paquistão “uma relação difícil, em uma parte difícil do mundo”, mas frisou que Washington acredita que fará com que “funcione”.

 

“Mas até que estas dificuldades sejam resolvidas, vamos reter parte do dinheiro que os contribuintes americanos se comprometeram a dar a eles”, afirmou.

 

Os cortes incluem US$ 300 milhões que estavam destinados a compensar o Paquistão pelo desdobramento de mais de 100 mil soldados na fronteira com o Afeganistão, e outras centenas de milhares de dólares em ajuda à formação e equipamentos militares, segundo o “Times”, que cita altos funcionários do Congresso e do Pentágono.

 

Parte da suspensão afeta equipamentos que o Paquistão se nega a aceitar, como rifles, munição e coletes à prova de balas, além de material que não pode ser certificado para o uso porque Islamabad negou os vistos ao pessoal americano necessário para manejá-lo, explica o jornal.

 

“No que diz respeito à ajuda militar, não estamos preparados para seguir proporcionando-a da mesma forma que antes, a não ser que algumas medidas sejam adotadas”, disse a secretária de Estado, Hillary Clinton, em uma audiência em junho em um comitê do Senado.

 

A própria Hillary viajou no final de maio ao Paquistão junto com o chefe do Estado-Maior americano, Mike Mullen, com o objetivo de acertar as relações com o país.

 

No entanto, o diálogo continuou estagnado devido à insistência de Washington em seu direito de pôr em prática novas ações unilaterais contra os insurgentes no Paquistão, e a consequente queixa de Islamabad de que isso representaria uma violação da soberania.

 

O maior impacto dos cortes, que não afetam os envios imediatos e as vendas de equipamentos militares como os aviões F-16, será registrado provavelmente na campanha antiterrorista do país centro-asiático, segundo calcula o jornal nova-iorquino.

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